Secretaria de Segurança vai analisar quais radares estão em áreas de risco
RIO - Quase dois meses após a sanção da lei que determina o desligamento de radares de velocidade em áreas perigosas do Rio, mais um passo foi dado para a retirada dos equipamentos. O deputado estadual Dionísio Lins (PP), autor do projeto, encaminhou segunda-feira à Secretaria de Segurança e ao Instituto de Segurança Pública (ISP) a relação de todos os pardais do Estado do Rio. Somente na capital, são 1.324 aparelhos. Com base nos índices de violência, os dois órgãos vão apontar os locais mais vulneráveis a assaltos que possuam radares.
Alguns locais já são bem conhecidos dos cariocas. Em Ricardo de Albuquerque, a velocidade máxima permitida na Estrada Marechal Alencastro é de 50km/h. Assaltantes aproveitam que os motoristas são obrigados a reduzir a velocidade por causa de um radar instalado na altura do túnel de pedestres para agir.
A média de ataques no local é de cinco por dia. Os criminosos surgem do nada em motocicletas, apontando armas para motoristas e também para pedestres. Por conta da violência, o equipamento da área hoje já é desligado às 22h. Lins luta para que ele seja retirado definitivamente.
O deputado diz que outra área perigosa é Quintino. Ele conta que um motorista, após ser assaltado recentemente na Rua Clarimundo de Melo, tentou fugir do local de ataque. Acabou sendo multado duas vezes por um radar instalado na área - uma por avanço de sinal e outra por excesso de velocidade. Ele sugere que vítimas de casos semelhantes recorram das multas.
- Não queremos incentivar o desrespeito às leis de trânsito, mas hoje os motoristas, ao reduzirem a velocidade perto dos equipamentos, acabam tendo que escolher entre ser roubado ou avançar e ser multado, para garantir a segurança da família. Para nós, isso é um absurdo.
Benito Quintanilha, um dos administradores da página Onde Tem Tiroteio (OTT-RJ) considera a lei oportuna, mas diz que ela é um paliativo.
- Tem pardais em locais extremamente perigosos. Mas é preciso ter bom senso. Em vez de se colocar mais policiamento, retira-se o pardal. Isso não vai resolver. É mesma coisa de evitar assalto a joalherias nos shoppings retirando todas do local.
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