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Itatiaia ainda espera neve, mas, por ora, ‘sincelou’

Por Agência O Globo

03/07/2017 21h07 — em
Rio de Janeiro



RIO — Nevar, não nevou, mas “sincelou”. Houve só neblina e muita chuva para as mais de 1.500 pessoas que subiram até a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia (PNI) no fim de semana. O nevoeiro congelante, chamado sincelo, chegou nesta segunda-feira nas partes mais elevadas das montanhas e foi flagrado em algumas fotos, diz o caçador de frio do grupo Brasil Abaixo de Zero, o geógrafo William Siqueira, que já instalou mais de 20 estações meteorológicas na Mantiqueira.

O sincelo, um fenômeno extremo de frio, quase desconhecido no habitualmente tórrido Estado do Rio de Janeiro, costuma ocorrer no inverno dos estados do Sul. Aqui é raridade. Mas o chefe do PNI, Gustavo Tomzhinski, contou que ontem cristais de gelo foram fotografados nas Agulhas Negras (2.790 metros) e no Morro do Couto (2.680 metros).

A noite desta segunda-feira ainda nem tinha começado quando o termômetro mergulhou abaixo de zero grau Celsius. Com um grau negativo no Morro do Massena, a sensação térmica era de seis graus negativos. E isso é só o início desta semana, que promete recordes de baixas temperaturas nas montanhas da Serra da Mantiqueira. A previsão para até amanhã é de geada — e das grandes. Ontem, a estação do Massena indicava queda de grãos de gelo, mas não propriamente neve no cume.

Durante todo o dia, as duas estações do PNI — Massena e Campo Belo — se alternaram no registro das temperaturas mais baixas do Brasil. Em nenhum momento o termômetro subiu acima dos 4 graus. Se as condições para a formação de neve acabaram, as de geada forte apenas começaram. Diferentemente da neve, a geada precisa de temperaturas abaixo de zero e clima seco para se formar.

— Há grande chance de ocorrer geada — afirma o meteorologista Diego Arsego, do Centro de Previsão e Estudos Climáticos do Inpe (CPTEC).

A geada é mais fácil de ocorrer do que a neve porque precisa de muito frio — o que quase sempre há no Planalto do Itatiaia — e clima seco, característico do inverno. Já neve nos trópicos, mesmo nas montanhas acima de dois mil metros, exige uma combinação extremamente difícil. É preciso ter frio abaixo de zero, ar quase saturado de umidade e chuva. Havia uma possibilidade de que isso acontecesse no fim de semana. A umidade e a chuva compareceram. Mas a temperatura não foi tão baixa quanto se esperava.

— Houve uma inversão térmica e a temperatura a 3 mil metros de altitude estava a 1 grau, mas acima disso marcava cerca de 4 graus. Essa inversão térmica foi determinante para não termos neve. Não houve frio suficiente — diz Siqueira.

Apreciadores de neve, como os integrantes do grupo Brasil Abaixo de Zero, passaram o fim de semana acompanhando as condições meteorológicas.

—As chances, desde o início, eram muito pequenas, mas ninguém quer perder uma oportunidade dessas. Neve tropical é imperdível — diz Siqueira.

O montanhista e fotógrafo Germano Viegas foi outro que ficou na expectativa de neve. Mas não se arrependeu:

— A neve não veio. Mas o Planalto com muito frio é sempre interessante.


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