Pastor é alvo da PF por convocação para 8 de janeiro usando codinome ‘Festa da Selma'
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (17) uma nova fase da Operação Lesa Pátria, que investiga a invasão do Congresso Nacional em 8 de janeiro. Entre os alvos da operação está o pastor Dirlei Paiz, de Blumenau (SC), que é suspeito de convocar pessoas para as manifestações usando o codinome “Festa da Selma”.
A PF afirma que Paiz usou suas redes sociais para promover as viagens a Brasília, dizendo que aquele fim de semana seria uma "data do povo patriota". Em vídeo postado em 6 de janeiro, ele dá instruções sobre como embarcar em ônibus em cidades catarinenses para ir à capital federal.
"Pessoal, tem ônibus ainda disponível para você ir a Brasília. Você entra em contato conosco e eu vou te passar todos os dados", afirmou ele, acrescentando que as manifestações naquele momento estavam chegando a um novo momento. Segundo ele, o povo deveria sair da frente dos quarteis e acampar em frente ao Planalto para "fazer pressão" e alcançar "a "vitória que nós queríamos no dia 30, quando fomos golpeados".
"Entendemos que esse é o momento que o povo precisa se aglutinar em Brasília em busca da sua liberdade, buscando a transparência naquilo que nós não concordamos na eleição de 2022. (...) O Brasil todo está se movimentando para esse ato de sábado, domingo, segunda-feira. Nós estamos conversando em alguns grupos. A estimativa é chegar a 4, 5 milhões em Brasília", disse ele, no vídeo.
De Blumenau, no interior de Santa Catarina, o pastor articulou as caravanas pelas redes sociais, mas acabou não comparecendo aos atos em Brasília.
A PF cumpriu dez mandados de prisão e outros 16 de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Paraíba, Paraná, Santa Catarina, e Bahia. As ações foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os alvos da operação são suspeitos de organizarem e divulgarem a chamada “Festa da Selma” - codinome para a convocação de caravanas a Brasília no fim de semana de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
Segundo a PF, a chamada “Festa da Selma” que foi fomentada pelos alvos da operação de hoje era, "na verdade, o codinome previamente utilizado para se referir às invasões".
"O termo Festa da Selma foi utilizado para convidar e organizar transporte para as invasões, além de compartilhar coordenadas e instruções detalhadas para a invasão aos prédios públicos. Recomendavam ainda não levar idosos e crianças, se preparar para enfrentar a polícia e defendiam, ainda, termos como guerra, ocupar o Congresso e derrubar o governo constituído", diz a nota divulgada pela PF.
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