Na opinião do diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, ao comparar a “ofensiva de Israel em Gaza à matança de 6 milhões de judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial”, o presidente Lula acabou por “inflar o ato que o ex-presidente Bolsonaro programou para o dia 25, na Avenida Paulista”.
Na coluna Bastidores da Política, da segunda-feira 19, sob o título “Lula está contribuindo para o êxito do ato programado por Bolsonaro”, Holanda aproveita para dizer que “Lula até aqui não contribuiu em nada para unir o País”. “Ao contrário, tem fomentado a polarização, com perseguição sistemática a adversários. Até aqui parece mais interessado em política externa do que governar para os brasileiros”.
Ainda não dá para saber o resultado do evento pró-Bolsonaro, no domingo 25, nem suas consequências. Mas já está decidido que ele prestará depoimento à Polícia Federal na quinta-feira 22, por suposta participação na tentativa de golpe de Estado (inclusive na elaboração de uma “minuta golpista” para impedir a posse de Lula).
Seus advogados até tentaram adiar a oitiva, mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido. Quanto ao evento na Avenida Paulista (convocado pelo próprio Bolsonaro), deverá contar com um trio elétrico alugado pelo pastor Silas Malafaia, onde o ex-presidente discursará. E ele mesmo impôs algumas restrições/proibições a seus apoiadores.
Bolsonaro já afirmou que o ato será “sério, pacífico e disciplinado”, gravou vídeos pedindo que não levem faixas e cartazes atacando ninguém. Também apelou para não realização de movimentos paralelos. “Não façam movimentos em outros municípios. Por favor, o movimento é exclusivo para a Paulista, não marquem e não compareçam a nenhum movimento fora da capital de São Paulo”, disse ele, em vídeo compartilhado em suas redes sociais. “Eu quero apelar: não façam movimentos em outros municípios, nem de manhã e nem de tarde. Por favor, o movimento é para a Paulista, exclusivo”.
“PERSONA NON GRATA” EM ISRAEL E PEDIDO DE IMPEACHMENT
A expressão latina persona non grata, que indica quando uma pessoa não é “bem-vinda”, foi ouvida pelo embaixador brasileiro Frederico Meyer, em forma de recado para o presidente Lula. “Não esqueceremos nem perdoaremos. É um ataque antissemita grave.
Em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel – diga ao presidente Lula que ele é persona non grata em Israel até que retire o que disse”, decretou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, que havia convocado Meyer para uma “reprimenda”, em Tel Aviv. Até à noite de segunda-feira 19, o presidente do Brasil não havia retirado o que disse. Mas, se quiser deixar de ser persona non grata, Lula terá de pedir desculpas e se retratar, avisou o ministro Israel Katz.
Apoiadores e adversários políticos de Lula entraram em ação nas redes sociais, como esperado. “Lula está certo”, “Lula Nobel da Paz” e todo tipo de crítica a Israel invadiram o X (ex-Twitter). Do outro lado, o pastor Silas Malafaia disse ser mentira que Israel esteja matando crianças e adultos. “O presidente do Brasil envergonha o país e deixa evidente que não tem a menor ideia do que foi o holocausto durante a segunda guerra mundial”, escreveu um internauta. Já passava das 22h, quando foi divulgado que 103 deputados haviam assinado pedido de impeachment de Lula, por comparar as mortes na Faixa de Gaza ao holocausto.
EFEITO LULA?
Nas manifestações de apoiadores de Lula, a notícia de que os Estados Unidos devem propor um texto para uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, pedindo um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hamas, foi “traduzida” como uma consequência da fala de Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião do Conselho será às 10h desta terça-feira 20 (12h no horário de Brasília), para debater o conflito.
E o motivo é que Israel deu prazo até 10 de março, para o Hamas libertar todos os reféns israelenses. Ou terá início a anunciada invasão contra Rafah, cidade que abriga cerca de 1,5 milhão dos chamados deslocados internos da guerra em Gaza. Só que a data coincide com início do Ramadã, o mês sagrado do islamismo (e uma operação pode causar danos em civis e mais deslocamentos). Então, não é efeito Lula, como quiseram acreditar alguns defensores do presidente.
Voltando à Coluna Bastidores da Política. O diretor-geral deste portal acredita que a polêmica declaração de Lula sobre Israel vai “inflar” o ato pró-Bolsonaro, no próximo domingo. Eis uma ótima “dica” para a Redação. Que tal saber se o governador Wilson Lima (União Brasil) comparecerá?
Até a sexta-feira 16, segundo a Folha de S.Paulo, WL não havia confirmado presença. Parlamentares do PL e de outros partidos aliados: quantos estarão na Avenida Paulista no domingo? Outros veículos de comunicação da cidade já informaram sobre movimentação de parlamentares e simpatizantes de Bolsonaro, inclusive nas redes sociais. Há comentários de que o ex-senador e ex-prefeito Arthur Neto já garantiu presença.
Faltam cinco dias para o acontecimento. Ainda dá tempo.

