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FEVEREIRO NÃO É SÓ CARNAVAL

Até um pouco mais da metade do mês mais curto do calendário gregoriano, muita coisa aconteceu além do Carnaval. Na parte mais alegre, digamos assim, a rede social Facebook, criada por Mark Zuckerberg, completou 20 anos e, até dezembro de 2023, mais de 98% dos brasileiros acessaram o serviço (dados da ComSocore). Mesmo enfrentando concorrentes (WhatsApp, Instagram, TikTok eTwitter), o Facebook, que desbancou o Orkut, continua atraindo atenção de muita gente.

Na parte mais conturbada no item política, o embaixador brasileiro em Israel será convocado para “uma dura conversa de repreensão”. “Decidi, com o ministro de Relações Exteriores Israel Katz, convocar o embaixador brasileiro em Israel para uma dura conversa de repreensão”, afirmou o primeiro-ministro Netanyahu, em seu perfil no X, ex-Twitter, neste domingo (18). Tudo isso porque o presidente Lula comparou a guerra entre Israel e Hamas ao Holocausto, no último dia 15, no Egito, durante encontro com o presidente Abdel Fattah al-Sisi.  

Assim falou o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva: “Não tem nenhuma explicação o comportamento de Israel, a pretexto de derrotar o Hamas, está matando mulheres e crianças, coisa jamais vista em qualquer guerra que eu tenha conhecimento. O que está acontecendo em Gaza não aconteceu em nenhum outro momento histórico, só quando Hitler resolveu matar os judeus. Não é uma guerra entre soldados e soldados, é uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças. Não é uma guerra, é um genocídio”. 

Assim respondeu o primeiro-ministro de Israel Binyamin Netanyahu: “Comparar Israel ao Holocausto nazista e Hitler é cruzar uma linha vermelha. As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e sérias. São sobre banalizar o Holocausto e tentar ferir o povo judeu e o direito israelense de se defender”. Na verdade, desde o início da guerra iniciada depois de um ataque do grupo terrorista Hamas a Israel, as manifestações verbais de Lula estão sempre em discussão (ele defende a criação de um Estado palestino, reconhecido pela ONU). 

Ainda no cenário internacional, a morte de um opositor do presidente russo Vladmir Putin provocou reações duras de entidades internacionais. O próprio presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou: “Não se enganem, Putin é o responsável pela morte de Navaly. Ele era muitas coisas que Putin não é” (a morte de Alexei Navaly, em uma prisão no Círculo Polar Ártico, foi informada na sexta-feira 16). Aqui no Brasil, a fuga de dois prisioneiros da penitenciária federal de Mossoró (RN), na quarta-feira 14, causou espanto, incontáveis especulações, além das esperadas críticas ao governo federal. 

Os dois homens, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, conseguiram fugir de uma prisão de segurança máxima. É a primeira fuga desde que o sistema foi criado, em 2006 (um dos objetivos é isolar lideranças criminosas). E aconteceu mal o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, tomou posse no cargo (ele assumiu no dia 1º de fevereiro). No dia seguinte, 15, aqui no Amazonas, as manchetes anunciavam a prisão de nove policiais militares, por desvio de 500 quilos de drogas. Eles teriam usado um carro particular e uma viatura da própria PM para transportar a droga. 

 Os policiais tiveram a prisão temporária decretada, enquanto a Secretaria de Segurança anunciava a instauração de “procedimentos administrativos para investigar a conduta dos agentes” e garantiu não compactuar “com quaisquer ações ilícitas praticadas pelos policiais militares”. Mas não é a primeira vez que policiais aparecem envolvidos nesse tipo de delito. A coluna Bastidores da Política (divulgada na sexta-feira 16), assinada pelo diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, faz referência a dois casos ocorridos em 2021 e 2022. 

“Em 2021, o traficante Edmar Ferreira e três policiais civis foram presos durante uma festa em Manacapuru. Eles comemoraram o roubo de drogas de outros traficantes, cuja carga era vendida a Edmar. Em 2022, seis PMS foram presos em Tefé suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Isso fora a participação de policiais em tráfico e contrabando de ouro, caso que resultou na demissão de um secretário de inteligência do governo do Amazonas”, pode-se ler na citada coluna. 

A prisão de policiais acusados de desviar meia tonelada de drogas, em Manaus, teve ampla repercussão nos meios de comunicação local. Diante do número de todo tipo de violência que a imprensa precisa registrar, todos os dias, ainda se depara com situações em que os responsáveis diretos pela segurança pública também cometem crimes. Crimes que deveriam combater. Policiais prendendo policiais. É notícia. A população tem direito de ser informada sobre todos os assuntos. 

Mesmo que seja lamentável.

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