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Manaus ainda lidera roubo de energia

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Em pouco mais de dois meses, a Amazonas Energia já flagrou  empresas que burlavam as regras para ter energia de graça.   A maior fraude foi detectada num estaleiro que desviava eletricidade por meio de transformadores clandestinos. Só nesse estabelecimento, calcula-se que o montante roubado seria suficiente para abastecer, por um mês, 5.300 residências... 

 

Não bastasse o título de campeã nacional do apagão, Manaus também virou a capital do desperdício. No maior centro financeiro e econômico da Região Norte, mais de 40% da eletricidade que circula pela rede de distribuição é perdida por questões técnicas, roubo, desvios ou fraudes. Detalhe: boa parte dessa energia é paga por todos os brasileiros na conta de luz em forma de subsídio. Neste ano, a expectativa é que a ajuda aos Estados do Norte alcance R$ 6 bilhões.

Quase toda população da região é atendida num sistema isolado do resto do País. Lá, a eletricidade é predominantemente produzida por usinas termoelétricas movidas a óleo combustível, de geração cara e poluente. Por esse motivo, os demais consumidores do Brasil ajudam no pagamento da produção.

Ainda assim, na média, a tarifa é de R$ 292,12 o megawatt hora (MWh) - a mais alta do País. Mas esse valor poderia ser menor se as perdas não fossem quase duas vezes maior que a média das outras regiões. Os consumidores que pagam suas contas em dia acabam arcando com a conta de quem rouba.

No Estado do Amazonas, a perda de eletricidade está em 41,84%. Ou seja, de toda energia que chega na concessionária para ser distribuída, apenas 58,16% se transforma em receita para a empresa. "A área mais delicada é Manaus, que tem elevado consumo de ar-condicionado e onde o crescimento populacional ocorreu de forma desordenada", afirma Luiz Armando Crestana, diretor comercial das Empresas de Distribuição da estatal Eletrobrás - que controla a maioria das concessionárias do sistema isolado.

Segundo ele, 90% das perdas da capital amazonense são decorrentes de furtos, desvios e fraudes. No fim do ano passado, a estatal iniciou um amplo programa, com apoio da polícia local, para combater o avanço dos índices. Um dos pilares da ação é ampliar a fiscalização das unidades consumidoras e evitar a reincidência das irregularidades.

Em pouco mais de dois meses, a Amazonas Energia já flagrou uma série de empresas que burlavam as regras para ter energia de graça. Os casos estão espalhados em vários nichos de atividade, como comércio, estaleiro, motel e comunidades carentes.

A maior fraude foi detectada num estaleiro que desviava eletricidade por meio de transformadores clandestinos. Só nesse estabelecimento, calcula-se que o montante roubado seria suficiente para abastecer, por um mês, 5.300 residências com consumo de 200 quilowatt hora (kWh) cada. Em outro estaleiro, o roubo de energia pode ultrapassar R$ 300 mil. As fiscalizações também detectaram desvios em bairros inteiros, como o Balneário da Prainha, na região centro-oeste de Manaus.

Medidores. Além das fiscalizações, a estratégia da Eletrobrás é elevar o volume de investimento para substituir medidores antigos por eletrônicos, que dificultam roubos e fraudes. No Amazonas, a expectativa é trocar 333.563 equipamentos até 2014; em Roraima, 48.024; Rondônia, 225.682; e Acre, 95.413. Para isso, serão aplicados R$ 475 milhões, que incluem os medidores e melhorias na rede. Nesse período, a expectativa é reduzir em 14 pontos porcentuais o índice de perdas. Outros R$ 93 milhões serão gastos com fiscalização.

A pergunta que o mercado faz, porém, é por que as fiscalizações e investimentos apenas se tornaram prioridade no fim do ano passado, sendo que o problema vem se agravando há alguns anos. "A redução dos índices deveria estar na ordem do dia, especialmente porque a energia do Norte é subsidiada pelo resto do País", avalia o consultor da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Fernando Umbria.

Segundo ele, de 1999 para cá, a carga de energia demandada no sistema isolado cresceu quase 70% enquanto o consumo foi de apenas 38%. As perdas saltaram de 29,4% para 40,5%.

Embora Manaus seja a campeã entre as capitais, algumas áreas da Região Norte apresentam níveis ainda mais alarmantes. No interior de Roraima, por exemplo, mais de 60% da carga de energia simplesmente desaparece da rede. Umbria diz que o fato de se tratar de um sistema isolado já ajuda a elevar os níveis de perdas. Os acessos são difíceis e o volume de energia é menor comparado ao resto do País.

Ainda assim, os níveis estão além do considerado aceitável. Umbria afirma que, em alguns casos, a rede de distribuição está sobrecarregada por falta de investimentos, o que é muito sério. O que se tem de infraestrutura para atender uma população crescente não é adequado, diz o especialista. "As redes não foram renovadas, não se fez o investimento necessário. A luz vermelha já acendeu faz tempo."


RENÉE PEREIRA - OESP/AE/Portal do Holanda

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