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Governo Trump marca reuniões com empresas petrolíferas sobre Venezuela

Por Reuters

05/01/2026 17h24 — em
Mundo



Por Jarrett Renshaw e Sheila Dang

WASHINGTON/HOUSTON, 5 Jan (Reuters) - O governo do presidente Donald Trump está planejando se reunir com executivos de empresas petrolíferas dos EUA no final desta semana para discutir o aumento da produção de petróleo venezuelano depois que forças dos EUA depuseram o líder Nicolás Maduro, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.

As reuniões são cruciais para as esperanças do governo de levar as principais empresas petrolíferas dos EUA de volta à nação sul-americana depois que seu governo, há quase duas décadas, assumiu o controle das operações de energia lideradas pelos EUA no país.

As três maiores empresas petrolíferas dos EUA -- Exxon Mobil, ConocoPhillips, e Chevron -- ainda não tiveram nenhuma conversa com o governo sobre a destituição de Maduro, de acordo com quatro executivos do setor petrolífero familiarizados com o assunto, contradizendo as declarações de Trump no fim de semana de que ele já havia se reunido com "todas" as empresas petrolíferas dos EUA, tanto antes quanto depois da destituição de Maduro.

"Ninguém nessas três empresas conversou com a Casa Branca sobre operar na Venezuela, antes ou depois da destituição, até o momento", disse uma das fontes nesta segunda-feira.

As próximas reuniões serão cruciais para as esperanças do governo de aumentar a produção e as exportações de petróleo bruto da Venezuela, uma antiga nação da Opep que possui as maiores reservas do mundo e cujos barris podem ser refinados por refinarias especialmente projetadas nos EUA. Para atingir essa meta, serão necessários anos de trabalho e bilhões de dólares de investimento, segundo analistas.

Não está claro quais executivos participarão das próximas reuniões e se as empresas petrolíferas participarão individual ou coletivamente.

A Casa Branca não comentou as reuniões, mas afirmou acreditar que a indústria petrolífera norte-americana está pronta para investir fortemente na Venezuela.

"Todas as nossas companhias petrolíferas estão prontas e dispostas a fazer grandes investimentos na Venezuela para reconstruir sua infraestrutura petrolífera, destruída pelo regime ilegítimo de Maduro", disse a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers.

A Exxon, a Chevron e a ConocoPhillips não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Um executivo do setor petrolífero disse à Reuters que as empresas relutariam em falar sobre possíveis operações na Venezuela em grupo com a Casa Branca, citando preocupações antitruste que limitam discussões coletivas entre concorrentes sobre planos de investimento, cronograma e níveis de produção.

GRANDES PLANOS, GRANDES PROBLEMAS

No sábado, forças dos EUA realizaram um ataque relâmpago à capital da Venezuela, prendendo Maduro na calada da noite e enviando-o aos Estados Unidos para enfrentar acusações de narcoterrorismo.

Horas depois da captura de Maduro, Trump disse que esperava que as maiores empresas petrolíferas dos EUA gastem bilhões de dólares para aumentar a produção de petróleo da Venezuela.

Mas esses planos serão prejudicados pela falta de infraestrutura, juntamente com a profunda incerteza sobre o futuro político do país, a estrutura jurídica e a política de longo prazo dos EUA, de acordo com analistas do setor.

A Chevron é a única grande empresa norte-americana que opera atualmente nos campos de petróleo da Venezuela.

A Exxon e a ConocoPhillips, por sua vez, tinham uma história de sucesso no país antes de seus projetos serem nacionalizados há quase duas décadas pelo ex-presidente Hugo Chávez.

"Não acho que você verá outra empresa além da Chevron, que já está lá, se comprometer a desenvolver esse recurso", disse um executivo do setor de petróleo, que pediu para não ser identificado ao discutir o assunto.

A Conoco está buscando bilhões de dólares em restituição pela aquisição de três projetos de petróleo na Venezuela durante o governo Chávez. A Exxon esteve envolvida em longos processos de arbitragem contra a Venezuela depois que saiu do país em 2007.

A Chevron, que exporta cerca de 150.000 bpd de petróleo bruto da Venezuela para a Costa do Golfo dos EUA, por sua vez, teve que manobrar cuidadosamente com o governo Trump em um esforço para manter sua presença no país nos últimos anos.

Os investidores estavam otimistas, apostando que a ação de Washington contra a liderança da Venezuela permitiria que as empresas dos EUA tivessem acesso às maiores reservas de petróleo do mundo.

O índice de energia do S&P 500 subiu para seu nível mais alto desde março de 2025, com os pesos pesados Exxon Mobil subindo 2,2% e Chevron saltando 5,1%.


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