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Ato em memória dos mortos no Holocausto lembra vítimas do 7 de Outubro

Por Folha de São Paulo

26/01/2025 19h45 — em
Mundo


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Oficialmente, o evento organizado na CIP (Congregação Israelita Paulista) neste domingo (26) era uma homenagem aos milhões de mortos no Holocausto. No entanto, o 7 de Outubro, como ficou conhecido o mega-ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel em 2023, fez com que o tema dominasse o evento.

Durante os discursos, Laura Feldman, presidente da CIP, afirmou que as boas condições de higiene e saúde que as reféns israelenses libertadas nos últimos dias apresentavam eram efeito de uma operação de propaganda do Hamas semelhante àquela que os nazistas fizeram no campo de concentração de Terezin, em que os detidos encenavam a farsa de um cotidiano de liberdade.

Marcos Knobel, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), disse que ninguém deveria chamar o que os palestinos em Gaza sofreram nos últimos 15 meses de genocídio, pois ninguém sabe melhor o que é limpeza étnica do que os judeus. "Falávamos 'nunca mais'", disse, referindo-se uma frase comumente repetida para falar do Holocausto. Com o 7 de Outubro, porém, o que nunca mais deveria acontecer passou a contaminar o presente, prosseguiu. "O 'nunca mais' é agora".

Ele ainda condenou o governo Lula (PT) por sua postura em relação a Israel na guerra em Gaza -crítica repetida por Claudio Lottenberg, presidente da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo).

Participaram também da cerimônia, realizada em uma sinagoga, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de diplomatas, líderes religiosos e comunitários e representantes de instituições judaicas que organizaram o evento -a Conib, a Fisesp, a CIP e a StandWithUs Brasil.

Tarcísio e Nunes usavam quipás, pequeno chapéu usado por homens judeus como símbolo de respeito e reverência a Deus. Ambos participaram de uma cerimônia em que foram acesas as velas de um menorá, um candelabro com sete braços que representam a luz divina e a sabedoria.

Cerca de 1.200 pessoas morreram no 7 de Outubro e outras 250 foram sequestradas na ocasião -neste sábado (25), mais quatro destes reféns foram soltos como parte de um cessar-fogo vigente entre as partes desde o último domingo (19). Cerca de 90 reféns seguem nas mãos dos terroristas, e mais de 30 deles tiveram suas mortes confirmadas pelo Exército israelense.

Em troca, também no sábado, 200 palestinos mantidos em prisões israelenses foram libertados. Autoridades ligadas ao Hamas estimam que 47 mil habitantes da Faixa de Gaza tenham morrido em decorrência dos ataques israelenses contra o território nos últimos 15 meses.

Neste ano, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto coincide com o 80º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Desde a sua inauguração, em 1940, até o momento em que o Exército soviético entrou no complexo e soltou seus prisioneiros, em 1945, estima-se que 1,1 milhão de judeus tenham sido mortos lá -um sexto do total de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto.


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