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Portugal elege socialista como presidente por maioria esmagadora; extrema direita cresce

Por Reuters

09/02/2026 4h56 — em
Geral



Por Andrei Khalip e Sergio Goncalves

LISBOA, 8 Fev (Reuters) - O socialista moderado António José Seguro garantiu uma vitória esmagadora e um mandato de cinco anos como presidente de Portugal no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo, derrotando seu rival de extrema-direita e antiestablishment, André Ventura.

Seguro, que recebeu o apoio de conservadores proeminentes após o primeiro turno, em meio a preocupações com o que muitos consideram tendências populistas e autoritárias de Ventura, é o primeiro socialista a se tornar chefe de Estado em 20 anos, sucedendo Marcelo Rebelo de Sousa, um conservador, após dois mandatos no cargo.

"A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país, me deixa naturalmente emocionado e orgulhoso da nossa nação", disse Seguro, de 63 anos, aos repórteres.

Uma série de tempestades nos últimos dias não conseguiu dissuadir os eleitores, com uma participação eleitoral praticamente igual à do primeiro turno, em 18 de janeiro, apesar de vários pequenos municípios terem sido obrigados a adiar a votação por uma semana devido às inundações.

Com 95% dos votos contados, Seguro obteve 66%. Ventura ficou atrás com 34%, ainda assim garantindo um resultado muito melhor do que os 22,8% que seu partido anti-imigração, o Chega, alcançou nas eleições gerais do ano passado.

As cédulas nas grandes cidades, como Lisboa e Porto, são contadas no final. Duas pesquisas de boca de urna colocaram Seguro na faixa de 67% a 73% e Ventura em 27% a 33%.

No ano passado, o Chega tornou-se a segunda maior força parlamentar, ultrapassando os socialistas e ficando atrás da aliança governamental de centro-direita, que obteve 31,2%.

INFLUÊNCIA POLÍTICA DE VENTURA

Apesar da derrota neste domingo, Ventura, de 43 anos, um carismático ex-comentarista esportivo de TV, pode agora se orgulhar de um apoio crescente, refletindo a influência cada vez maior da extrema-direita em Portugal e em grande parte da Europa.

"Todo o sistema político, tanto da direita como da esquerda, uniu-se contra mim", disse Ventura aos repórteres ao sair de uma missa no centro de Lisboa. "Mesmo assim... acredito que a liderança da direita foi definida e assegurada hoje. Espero liderar esse espaço político a partir de hoje."

A presidência de Portugal é uma função essencialmente cerimonial, mas detém alguns poderes importantes, incluindo a capacidade de dissolver o Parlamento e bloquear legislação em determinadas circunstâncias.

Alguns analistas sugerem que o apoio conservador a Seguro, juntamente com a elevada taxa de rejeição de Ventura por cerca de dois terços do eleitorado, poderá indicar que, mesmo que o Chega acabasse por sair vencedor nas próximas eleições gerais, uma potencial aliança centrista impediria o partido de governar.

ADVERTÊNCIA DE SEGURO

Seguro se apresentou como o candidato de uma esquerda "moderna e moderada" que pode mediar ativamente para evitar crises políticas e defender os valores democráticos.

Ainda assim, ele advertiu que, se eleito, não aprovaria a reforma trabalhista proposta pelo governo minoritário, a menos que os sindicatos, que a consideram favorável aos empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores, concordassem com ela primeiro.

O governo argumenta que uma revisão do código trabalhista é essencial para impulsionar a produtividade e o crescimento econômico.


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