"Havia tanta corrupção que ficamos assustados"
Chamado pelo ex-senador Tasso Jereissat de "herança maldita de Lula" e por Tiririca, de “um cara bacana”, Alfredo Nascimento é quem mesmo? Na verdade o senador não teve criador. Subiu várias escadas no serviço público, arranjou um amigo no meio do caminho, Amazonino Mendes, que o tornou prefeito em 1988, depois de depor Manoel Henrique Ribeiro. O que tem isso de importante hoje ? É que ao assumir a prefeitura e fazer uma devassa nas contas de Ribeiro, no dia 7 de julho daquele ano, Nascimento chamou a imprensa e contou a seguinte história: "Havia tanta corrupção que ficamos assustados. Era uma coisa descarada o que havia aqui" (na prefeitura).
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Segundo Alfredo, o dinheiro destinado à construção de casas no bairro Tancredo Neves seguiu outro caminho: o Conselho Comunitário Feminino, de onde era desviado pelos asseclas de Ribeiro. "E os cofres da Secretaria de Saúde foram tomados por assaltantes".
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Nunca se soube o tamanho da corrupção atribuída a Manoel Ribeiro, porque aqueles eram tempos difíceis. A imprensa dizia o que o governante de ocasião queria ou pagava. Hoje Alfredo sente na carne o que sentiu Ribeiro: revolta. E ouve acusações tão semelhantes quanto àquelas que fez ao hoje diretor-presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), e novo amigo de Amazonino Mendes. As voltas que o mundo dá...
O dilema de ser ao mesmo tempo Chico e Francisco
Ao contrário de seu xará Chico Buarque, que consegue criar metáforas e criticar todo um regime de governo, como em “Construção”, o deputado Chico Preto (PP), apesar de sua militância consciente, ainda vive uma crise de identidade política. Se não, por que faria os comentários a seguir transcritos: “Se defendo as boas propostas do governo, me chamam de governista. Se cobro e/ou critico para tornar melhor, me chamam de oposicionista. Defendendo o certo e combatendo o errado, esse comportamento é chamado de sensatez!” O deputado tem razão no seu raciocínio, mas os eleitores estão perguntando se há algum conflito em ser ao mesmo tempo Chico e Francisco...
Médico sem esperança
O vereador Homero de Miranda Leão (PHS), que também é médico, à semelhança de grande parte da população brasileira, já está na marca do pênalti quando o assunto é fazer deste um país sério, ou, pelo menos, onde as virtudes sejam reconhecidas e os crimes apenados. Diz Homero: “São tantas irregularidades nesse fantástico país que talvez fosse melhor mudarmos as leis e deixar descambar de vez... Será que tem jeito?” Jeito tem, sim vereador, mas o senhor vai ter que fazer a sua parte...
Comeu e não gostou...
O petista José Ricardo, debutando como deputado estadual, já descobriu como pode ficar sempre na mídia e bem na foto. Além de ostensivamente fazer oposição ao governo Omar Aziz, onde o partido dele tem um gorda participação em cargos reluzentes, agora cismou com o chamado auxílio-paletó, que ele, de bom grado, recebeu no início do mandato. Ricardo dá a entender que a função de quem é eleito pelo povo, como ele, deve ser algo como um sacerdócio, um elevado espírito de despreendimento material, o que é louvável.
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A continuar nessa pisada franciscana, logo, logo o deputado começará a briga pela redução do salário de deputado, da verba indenizatória, afinal, com a internet, quem precisa conversar pessoalmente com as bases eleitorais do interior? Pensando bem, o Zé Ricardo podia mesmo aproveitar essa fase de revisionismo para estabelecer aí, talvez, uns dois salários mínimos para os deputados. Se ganhar a guerra, será exemplo para o país, de repente o Congresso toma a mesma medida. Afinal, o eleitor, que nem sempre tem dinheiro para comprar roupa, ainda é obrigado a vestir os deputados da cabeça aos pés, com a grana a eles destinada?
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Mas, para mostrar coerência e grandeza de propósito, Zé vai ter de devolver a grana que ganhou para comprar os seus ternos bem talhados. A Justiça para ser boa começa em casa.
Do contra
O vereador Elias Emanuel (PSB) abriu o verbo contra a pretendida privatização dos bens pertencentes ao município e a cobrança,já desmentida, de pedágio da ponte sobre o rio Negro. Diz o vereador que, aqui, está tudo para ser privatizado: é pedágio na ponte, que custou uma fortuna e ainda não serve para nada, os mercados e feiras sendo entregues aos empresários e, diz o vereador, os motoristas e feirantes que se danem com essas atitudes da administração púbica.
Gestão ambiental no interior
O governo do Estado está incentivando a adesão dos municípios à boa gestão ambiental. A secretária Nádia Ferreira, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS) é a responsável pela área e está, ao que parece, empenhada em cumprir sua missão. Só falta contar com a colaboração dos prefeitos do interior. Dos 62 municípios do Amazonas, ela já conseguiu a adesão de 31 . Tem, assim, 50% no bom caminho. Quanto aos outros 50% a briga vai ser dura. O pessoal do sul do Estado, onde mora o perigo, ainda faz beicinho para Nádia Ferreira.
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.