O projeto de mudança do terminal rodoviário de Manaus está dando o que falar. É distante, o custo da obra é alto e há a desaprovação dos usuários de ônibus intermunicipal. Mas foi assim na década de 80, quando o então governador José Lindoso construiu a atual rodoviária no bairro de Flores. A mudança ocorreu, não sem protestos, inclusive de um grupo de “meninas da noite” que faziam ponto na Rua Itamaracá, Centro de Manaus, onde estacionavam os ônibus que chegavam de Ponto Velho e Roraima.
O discurso da época era que o local ficava distante e o acesso se tornava difícil. Ou a cidade encolheu 40 anos depois, ou a rodoviária se teletransportou e ficou “bem ali”, tão próxima e tão apertada que o poder público foi levado a pensar em um novo projeto, mais amplo, mais dinâmico.
De novo o discurso da distância, do excessivo gasto com a obra. De novo a falta de visão de que a cidade precisa pensar no futuro e construir soluções para os problemas de agora e de amanhã.
De novo políticos metendo o dedo onde deveriam apontar soluções. De novo o histerismo que transforma soluções em problemas, fazendo a cidade estacionar no atraso.
De novo gente alienada transferindo uma questão legal, que diz respeito a política pública - e o transporte é política pública - sendo discutido ou no Judiciário ou no Tribunal de Contas, numa indevida intromissão em atos de natureza exclusivamente do Executivo.
Pena que as meninas da noite não tenham entrado na discussão…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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