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Os candidatos ao governo do Amazonas e o enfrentamento ao crime organizado


Por Raimundo de Holanda

04/07/2022 20h26 — em
Bastidores da Política



Dois casos de decapitação foram registrados em Manaus nas últimas semanas, ambos atribuídos a membros do crime organizado. A mensagem que esses grupos tentam passar é de poder.  Apostam no terror e no medo que disseminam como estratégia de domínio. E um desafio a um estado inerte, até certo ponto cúmplice.

Inerte porque não se movimenta para ocupar um espaço que perdeu nos últimos anos para grupos criminosos; cúmplice porque ignora que esse mesmo poder paralelo começa a se infiltrar em instituições do estado e com grande risco de se apoderar do sistema legal, especialmente em tempos de eleição.  

Ou as autoridades desconhecem as investidas desses grupos – seja corrompendo policiais, seja investindo em candidatos a cargos eletivos?

Os pré-candidatos ao governo, comprometidos com o bem estar e a segurança dos cidadãos, precisam apresentar propostas que mirem diretamente essas organizações. Falar apenas em resolver o problema da violência – que fez mais de 1,2 mil mortos ao passado - municiando a polícia de armamentos ou contratando mais policiais, é fingir desconhecer a origem de todos os problemas de violência vividos pela sociedade amazonense.

 Os candidatos ao governo precisam dizer claramente em seus programas que vão combater as organizações criminosas que dominam boa parte do Estado – e não apenas com uma polícia melhor aparelhada, mas com políticas públicas que tenham como meta   reduzir a pobreza e minar a influência desses grupos sobre a população mais humilde.

Ou estarão apenas repetindo a velha promessa de que com polícia aparelhada e bem treinada os crimes serão drasticamente reduzidos. Não serão. Não sem uma clara disposição de  combater e destruir os grupos criminosos constituídos e que atuam de forma acintosa em todo o Estado do Amazonas.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.