Bastidores da Política - O fracasso da política  de segurança do governo Wilson Lima


O fracasso da política de segurança do governo Wilson Lima

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

06/09/2021 20h48 — em Bastidores da Política

No primeiro ano do governo Wilson Lima o Estado do Amazonas contabilizou 1.592 homicídios. Esse número cresceu ao longo de 2020 e o primeiro semestre deste ano. Mas são dados ainda  em fase de compilação.  O  fato de os homicídios terem crescido em 2019 ( vide mapa da violência, publicado pelo IPEA) revela o fracasso da politica de segurança do novo governo  e escancara o aparato de um poder paralelo em franco desafio às instituições do Estado.

Em 2020, duas organizações criminosas provocaram  dezenas de mortes na disputa  das principais rotas do tráfico de drogas no Estado.. Em 2021,  catorze ônibus foram  queimados, delegacias  atacadas, viaturas danificadas e a  cidade de Manaus sitiada.

As organizações criminosas agem com esse discernimento quando o Estado é fraco ou tornou-se refém, cedeu poder por absoluta incapacidade de impor ordem ou  abriu espaço  deliberadamente para o crime. Vai ficar essa dúvida.

Mas a violência não se resume às mortes. Ela está nos milhares de assaltos, no espaço aberto pelo Estado em bairros pobres, onde o crime organizado se estabeleceu e agora impõe suas próprias leis.

Está também dentro do Estado, quando alguns de seus agentes resolvem assaltar ou contrabandear ouro; quando sua Inteligência serve ao crime, não à sociedade; quando  numa pandemia  é o governador que contrata uma loja de vinhos para comprar respiradores superfaturados.  Ou quando parte da Procuradoria Geral da República a acusação de que o governador é o criminoso.

Então, é quando de repente nos damos conta de que  tudo parece irremediavelmente perdido e sem jeito.   Esgotou-se a confiança  no poder do Estado e a fé na  justiça.   

Resta rezar. Mas onde? Nas igrejas os pastores nos convencem  a “doar” para eles o pouco do arroz que restou no fundo da panela….

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.