
Do inquérito policial ao processo que deu origem a sentença de prisão de Tio Patinhas, era fácil identificar como Clemilson dos Santos Farias conseguiu sua primeira moeda e montou a sucursal em Manaus de uma organização criminosa que extorquia, matava e fazia suas próprias leis. Mas a juíza Rosália Guimarães Sarmento alegou que a denúncia contra ele era improcedente. Determinou sua soltura, alegando "fragilidade de provas".
Provavelmente a magistrada não leu com a devida atenção o inquérito policial onde constam o ato de prisão, a posse de explosivos, metralhadora e outros armamentos, além uma série de crimes atribuídos ao acusado.
Em boa hora, o desembargador José Hamilton Saraiva percebeu uma escandalosa falha do juízo de primeiro grau e determinou o recolhimento do acusado ao presídio.
O que o desembargador viu que a juíza sequer percebeu? “Que a repercussão social da liberdade do acusado” era "negativa" e enumerou uma série de fatos tirados de sua ficha criminal: "líder de uma facção criminosa, poder econômico para movimentar o comércio de entorpecentes”. E por aí vai.
A verdade é que a decisão da juíza Rosália Guimarães abria, definitivamente, a Caixa de Pandora, com potencial de liberar mais violência, mais mortes, mais miséria. O desembargador recolocou a tampa no seu devido lugar.
O papel de uma instância superior é, entre outros, corrigir erros, alguns gravíssimos. Outros, nem tanto. Há bons juízes (a maioria) e juízes que erram por descuido, desleixo, cegueira.
O problema é quando o erro vem de cima. São poucos, mas também ocorrem. Afinal, ninguém é perfeito…e juízes não são deuses…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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