A investigação sobre a morte do menino Benício, em novembro de 2025, foi concluída cerca de cinco meses depois.
O inquérito sustenta que quem assume o risco de produzir um resultado deve responder por ele. É uma ideia conhecida. Mas aplicá-la, em um caso como este, exige mais do que pressa por respostas.
Houve uma perda irreparável. Isso não está em debate. A dor da família é legítima e merece respeito — sempre. Ao mesmo tempo, o que se busca agora é compreender, com serenidade, o que de fato aconteceu. E isso nem sempre cabe em explicações simples.
Ao longo desses meses, o caso ganhou repercussão, mobilizou opiniões, trouxe indignação. É natural. Mas, quanto maior a comoção, maior precisa ser o cuidado.
Investigar um fato complexo, sobretudo na área da saúde, pede tempo, técnica e distância suficiente para que cada elemento seja visto como é, e não como parece.
Pelo que se conhece até aqui, há sinais de falhas que precisam ser examinadas com rigor. Mas também há um contexto mais amplo, com atendimentos sucessivos, decisões tomadas em momentos diferentes e circunstâncias que não se resumem a um único ato.
Simplificar, como fez a Polícia ao concluir o inquérito, pode ter sido um erro tão grave quanto o próprio fato que investigou.
Não se ignora a necessidade de responsabilização. Se houve erro, ele deve ser reconhecido.
Há uma diferença essencial entre falhar e agir como se o pior resultado fosse aceitável. Essa distinção não pode ser apagada pela gravidade do desfecho.
Agora, cabe ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos e decidir qual caminho seguir. Essa escolha pede independência e prudência. Não pode ser guiada pelo ritmo das expectativas, mas pelo tempo da análise.
Quando a pressa ocupa o lugar do cuidado, o risco não é apenas de errar — é de não compreender.
No fim, é disso que se trata: dar a cada coisa o seu lugar. À dor, o respeito. Aos fatos, a clareza. E às decisões, o tempo necessário para que sejam justas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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