À medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima de outubro, o debate público no Amazonas começar a registrar mudanças mais perceptíveis. Temas historicamente tratados de forma secundária — como infraestrutura, logística e o chamado “custo Amazônia” — passam gradualmente a ganhar espaço diante das dificuldades enfrentadas pela população.
A tendência é que o eleitorado pressione menos por discursos abstratos e mais por capacidade real de gestão, planejamento e execução administrativa.
O eleitor em sua maioria não entende o significado da expressão “custo Amazônia”, mas convive diariamente com seus reflexos no valor do frete, dos alimentos, do combustível e nas limitações impostas pelo isolamento regional.
Os eventos climáticos recentes, especialmente as secas severas e as chuvas intensas, expuseram fragilidades estruturais históricas da Amazônia.
A dependência de poucos modais de transporte, o isolamento logístico e a precariedade da infraestrutura passaram a repercutir não apenas na economia, mas também na vida cotidiana da população, que acaba suportando os custos dessas limitações.
Nesse contexto, debates como o da BR-319 deixam de ocupar apenas o campo simbólico ou ideológico e passam a integrar uma discussão mais ampla sobre integração nacional, competitividade e segurança logística. Ao mesmo tempo, o próprio debate técnico demonstra que nenhuma solução isolada será suficiente para enfrentar os desafios amazônicos.
O desafio que se impõe ao debate público é transformar essas questões em pauta permanente de interesse coletivo, e não apenas em promessa episódica de campanha.
É necessária a compreensão de que proteger a Amazônia não pode significar perpetuar a ausência de infraestrutura, integração e presença efetiva do Estado na vida concreta de um povo que vive historicamente isolado..
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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