À margem das discussões de fortalecimento de projetos e relações internacionais, a Amazônia continua cercada de discursos, debates ambientais, conferências e promessas, mas segue convivendo com problemas antigos de infraestrutura, logística e integração nacional.
A sensação é de que a floresta ganhou enorme importância simbólica para o mundo, enquanto a vida concreta dos amazonenses e demais povos que a habitam permanece em segundo plano.
A situação da BR-319 talvez seja hoje o retrato mais claro dessa instabilidade permanente.
Houve avanços recentes, mudanças legislativas, abertura de editais e novos sinais de retomada do debate sobre pavimentação da rodovia. Mas tudo ainda parece pequeno diante das incertezas que continuam cercando o projeto.
A cada novo passo surgem dúvidas, disputas judiciais, discussões ambientais e obstáculos que impedem qualquer sensação real de estabilidade sobre o futuro da rodovia.
Talvez esteja chegando o momento de um amadurecimento político mais firme das lideranças amazônicas. Não para negar a importância da preservação ambiental, mas para fazer o restante do país entender que a Amazônia não pode continuar existindo apenas como símbolo internacional.
A região precisa participar do desenvolvimento nacional de forma concreta, com infraestrutura, integração e oportunidades reais para quem vive nela todos os dias.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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