CPI da Saúde vai apontar crimes atribuídos ao governador do Amazonas

Por Raimundo Holanda

25/09/2020 21h02 — em Bastidores da Política

A maioria governista deve barrar o pedido de prorrogação por mais 60 dias da CPI da Saúde, que será submetido ao Plenário da Assembleia Legislativa nesta terça-feira, mas não livra o governo de constragimentos. Um pré-relatório está sendo revisado e deve pedir o indiciamento  de servidores  e ex-servidores acusados de envolvimento  em esquema de corrupção durante o pico da pandemia de coronavirus. Entre os  nomes  relacionados constam o da ex-secretária de  Comunicação do Amazonas, Daniela Assayag, e do marido dela, Luiz Carlos Avelino Jr, este envolvido diretamente em negócios com a Sonoar Equipamentos, empresa citada no escândalo da compra de  respiradores. 

A CPI colheu provas de que Luiz Carlos detinha  50% das cotas societárias da empresa. 

A CPI não tem poder de indiciar, mas tem autoridade para provocar o Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário  a tomarem a iniciativa de iniciar  uma ação penal  contra os acusados  

A outra questão mais grave e que deve constar do relatório da CPI é o indício do  envolvimento direto e indireto do governador Wilson Lima nos atos de corrupção ocorridos durante o pico da  pandemia de coronavirus.

Todas as  testemunhas ouvidas pela CPI e que participaram do caso em apuração,  disseram que o governador sabia de cada passo tomado  pelos executivos da Secretaria de Saúde e que nada foi feito sem a concordância  dele.

Com base nessas conclusões, o relator da CPI, deputado  Fausto Vieira do Santos Júnior,  pretende incluir o governador no seu relatório e formalizar um novo pedido de impeachment contra Wilson Lima, por supostamente chefiar a organização criminosa. 

A CPI vem trabalhando afinada com a Polícia Federal, o  Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União,  que continuam a investigar ações criminosas cometidas  durante a pandemia de coronavírus no Amazonas.

Os trabalhos da CPI têm contribuído parta municiar órgãos de controle de documentos que vão balizar iniciativas como a que resultou  em  busca e apreensão na casa do governador e prisão de  secretários no mês de junho.