Cruella chega com o pé na porta e gera o caos como o Coringa de Heath Ledger
FOLHAPRESS - Foi-se o tempo em que os vilões eram coadjuvantes de luxo um luxo altamente necessário, diga-se.
Veja, por exemplo, a história dos super-heróis. Um dos mandamentos do velho testamento hollywoodiano dizia que o sucesso de um filme de herói era medido pelo carisma de seu vilão. Foi assim com os Coringas de "Batman", com o Magneto de "X-Men" ou com o Dr. Octopus de "Homem-Aranha".
Vivemos sob o signo dos vilões. Amamos vilões, e amamos odiar vilões. Do BBB à CPI da Covid, quando o vilão sai de cena, tudo perde um pouco o interesse tem gente que até vota em vilão, só para apreciá-lo por quatro longos anos.
O cinema tem surfado nessa onda, caso do sucesso de Coringa (2019), maior do que o de muito Batman, ou de Malévola (2014), da Disney. E, pela mesma Disney, Cruella (2021), talvez o primeiro grande lançamento mundial do cinema pós-pandêmico, chega com o pé na porta para ocupar seu lugar na galeria dos vilões carismáticos.
Antes de ganhar seu filme solo, Cruella surgiu na animação 101 Dálmatas (1961) e ganhou as feições de Glenn Close no live-action homônimo de 1996 a interpretação caricata e histriônica de Close agradou tanto que inventaram um desnecessário 102 Dálmatas (2000).
Em Cruella, apresenta-se a origem da personagem, entre os anos 1960 e 1970. Com seu cabelo preto e branco desde que nasceu, Estella (Cruella é só seu alter-ego malvado e represado) sofre bullying desde cedo na escola, mas não se faz de vítima, revida. E desde cedo também é apaixonada por moda.
Após mais um problema escolar, sua mãe resolve levá-la para Londres para recomeçarem a vida, até que um acidente a obriga a terminar a viagem sozinha.
Na capital inglesa, ela cresce de pequenos trambiques, mas sem nunca abandonar o sonho fashion, no qual tenta entrar pelas vias corretas.
E como em Malévola, Estella/Cruella não é a maior vilã da trama. Aqui, entra em cena a Baronesa, estilista que domina a moda londrina passando por cima de quem cruze o seu caminho. E que tem também três dálmatas nada fofos.
Em sua busca por vingança contra a Baronesa (que tem relação com o acidente que matou sua mãe), Cruella não quer as peles dos dálmatas, como na animação (algo politicamente incorreto hoje em dia) nem de nenhum animal. Ela quer a pele da Baronesa, e vice-versa.
Seja Stone, seja Thompson, as duas Emmas dominam a tela, e estão divertidíssimas. A Cruella de Emma Stone, também produtora do longa, é a rainha sob medida para uma Londres que flerta entre a moda glam rock e punk da época. Ela é uma agente do caos, a seu modo, e está muito mais para um Coringa de Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas", 2008) do que para a personagem de Glenn Close.
Enquanto isso, a arrogância da Baronesa de Emma Thompson faria Miranda Priestly (a personagem de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada) falar por favor de cabeça baixa.
Apesar de ter mais de duas horas de duração, Cruella não cansa, muito por conta das duas atrizes, que dominam a cena quase que na íntegra.
Dirigido por Craig Gillespie, que já tem experiência em exaltar vilões desde Eu, Tonya (essa, da vida real), o filme ainda tem de bônus uma das melhores trilhas dos últimos anos, recheada de sucessos da época, incluindo Nancy Sintatra, Rolling Stones, The Doors, Blondie, Queen, Nina SImone, Ike e Tina Turner, entre outros. Vai ter muito pai querendo comprar o CD depois do filme (e muito filho falando que é só baixar no Spotify).
Ah, e quem esperar um pouquinho depois do início dos créditos, vai encontrar ainda Roger e Anita, os personagens donos dos dálmatas da animação clássica, ganhando seus filhotinhos. E descobrir que, no fundo, Cruella é uma... romântica.
CRUELLA
Avaliação Bom
Quando Em cartaz nos cinemas e a partir desta sexta (28) no Disney+
Classificação 12 anos
Elenco Emma Thompson, Emma Stone e Paul Walter Hauser
Produção EUA, 2021
Direção Craig Gillespie
ASSUNTOS: Arte e Cultura