Vídeo mostra lado oculto do acidente que matou dois jovens na Estrada da Ponta Negra

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05/06/2014 18h02 — em Amazonas

 
Vídeos de câmeras de segurança dispostas ao longo da Estrada da Ponta Negra começam a mostrar detalhes ignorados pela polícia desde o dia 12 de maio, após o acidente ( Veja Aqui) que vitimou Keyllene Nogueira, 28, e Henrique Galvão, 18. O casal foi atingido pela pick-up S-10 de Renato Benigno, 37, quando empurravam um Fiat Strada em pane pela avenida. Renato foi preso em flagrante e continua no Centro de Detenção Provisória – CDP – no Km 8 da BR-174.

As primeiras informações davam conta de que Renato dirigia a 140km/h, fazia ultrapassagens perigosas e atingiu um carro em pane mecânica com o pisca-alerta ligado. Vídeos gravados por câmeras da região mostram, porém, o carro atingido sendo empurrado por quase 4 quilômetros, desde o calçadão da Ponta Negra até o local do choque. Mais do que isto, imagens do CIOPS feitas nas imediações do condomínio Jardim das Américas mostram o Fiat Strada completamente às escuras, sem qualquer sinalização e quase sendo atingido por outros veículos.

As imagens não batem com os depoimentos das vítimas, que disseram que o carro ficou no prego sem explicação em frente ao shopping Ponta Negra. Já existem provas de que isto não era verdade. O acidente ocorreu antes do shopping, a pane era de gasolina, já durava 4 quilômetros e não havia qualquer luz de sinalização acesa. Mesmo numa pane de gasolina, luzes de alerta, faróis e lanternas continuam funcionando num carro em boas condições.
 
“Em frente ao Condomínio Jardim das Américas, imagens contradizem depoimentos: o Fiat Strada vinha no “prego” há quilômetros e não tinha qualquer luz acesa”


A garrafa de whisky

Em outro vídeo, feito na saída da casa de shows Forró de Nós, de onde saíram todos os envolvidos no acidente, Keyllenne aparece ao lado do namorado, Jhony Lemos, carregando uma garrafa de whisky Red Label.
Junto a eles, José Henrique, o menor Rodrigo Oliveira e Weslem Tavares surgem com copos nas mãos.
3h45 da manhã: O grupo deixa o Forró de Nós. Keyllene segura a garrafa de whisky que mais tarde seria atribuída a Renato Benigno”
 No detalhe, a garrafa quase vazia nas mãos de Keyllene"
 
  José Henrique sai do Forró de Nós com um copo nas mãos 
  "Weslem Tavares deixa a casa de shows com seu copo 
"Rodrigo Oliveira, de apenas 16 anos, e seu copo de whisky"


Fotos publicadas na internet, naquela mesma noite, mostravam Jhony, que afirmou à polícia ser o condutor do Fiat Strada, com copos de bebida na mão. Imagens publicadas nos perfis de redes sociais da turma mostram a mesma rotina, a mistura de carros, motos e bebida.
 
 Jhony, Rodrigo (que é de menor) e Weslem bebem em mais uma noite 
   Quatro dias após o acidente, Weslem Tavares publica, em seu perfil no Facebook, fotos do grupo bebendo 
 Jhony/ Keyllene e o mesmo balde encontrado no banco do Fiat Strada na manhã do acidente 



A imagem da garrafa de whisky caída no acostamento da avenida, carregada minutos antes por Keyllene, foi usada pela imprensa como sendo de Renato que, mesmo tendo passado nos testes visuais e de reflexos realizados no local, pediu para fazer o teste do bafômetro no
local do acidente, desde que os demais envolvidos também o fizessem. Renato admitiu ter ingerido bebida alcoólica, negando, contudo, que estivesse embriagado. Flagrantes de sua saída da casa de shows, sozinho e sem qualquer objeto nas mãos, confirmam sua versão. Renato não fugiu do local e prestou socorro aos feridos.
 
  Programa de TV atribui garrafa do grupo de jovens a Renato 


Local da pane


Em depoimento prestado no dia do acidente, Weslem Tavares contradisse Jhony Lemos sobre o local da pane. Enquanto o  motorista da Strada dizia que o carro quebrou em frente ao Shopping Ponta Negra, Weslem revelou à polícia que a gasolina acabou na Avenida do Turismo, nas proximidades do Cemitério Parque Tarumã.


A diferença entre o local da "pane mecânica" relatada por Jhony e a falta de gasolina relatada por Weslem é de, portanto, mais de cinco quilômetros. Ainda mais grave, a declaração de Weslem contradiz a defesa feita pela polícia, de que o grupo transitou a todo momento no
acostamento. A Avenida Coronel Teixeira não tem acostamento. Além disto, se o carro em pane foi empurrado até ela, o grupo simplesmente precisou fazer o retorno e atravessou a avenida inteira, com um carro sem gasolina, sem sinalização e no escuro.

A defesa de Renato  alega que seu carro possuía limitador de velocidade. A versão de que o carro trafegava a 140km/h também cai por terra com a informação de que o radar de velocidade do condomínio Jardim das Américas não registrou nenhum veículo acima da velocidade permitida naquele horário. Mas são dois vídeos, gravados por uma câmera do condomínio Aquarelle, a 600 metros do local do choque, que trazem as mais fortes evidências de que detalhes importantes ficaramde fora das investigações.
 
Às 4h25, o Fiat Strada passa pelo Condomínio Aquarelle. Jovens caem no chão, dançam e soltam os freios do carro 



O primeiro vídeo mostra o grupo passando pelo local cerca de 20 minutos antes da S-10 de Renato. Num dos trechos, um dos jovens cambaleia e cai no chão. A mulher solta os freios do carro, que chega a descer em direção ao rapaz caído. Outro parece dançar.
4h42: Renato passa pelo Condomínio Aquarelle



O segundo vídeo mostra que o carro de Benigno trafegava entre 60 e 80km/h. Esta versão é corroborada pelo estado do Fiat Strada após o choque. Nem os vidros traseiros do veículo, que tinha as portas amarradas pelo cinto de segurança e os espelhos fixados com arame, foram quebrados com o impacto.
 
 Strada com vidros e laterais intactos indica que impacto não ocorreu a 140km/h 

As fotos abaixo mostram o estado de conservação do Fiat atingido. 


Fiat Strada: sem licenciamento há dois anos, com portas presas pelo cinto de segurança 
Strada com balde de gelo no banco -Balde degelo da casa Forró de Nós 
 

Segundo os documentos do carro, o Fiat Strada é um carro para duas pessoas. No momento do acidente estava sem licenciamento havia dois anos, carregava cinco pessoas, não possuía equipamentos de segurança e estava com os quatro pneus carecas. Sua pane não era mecânica, mas de combustível. O grupo o empurrou por mais de 5 quilômetros, sem nenhuma Exames de bafômetro


Renato alega que se ofereceu para fazer o teste do bafômetro, pedindo que o mesmo fosse feito em todos os ocupantes do outro carro. Conforme o inquérito, seu exame foi feito logo após o acidente, às 5h02. O exame feito em Jhony Lemos foi feito às 16h13, quase 12 horas após o acidente. Seu resultado foi zero.


As fotos de Jhony bebendo whisky, servido da garrafa vazia carregada por Keyllene às 3h45 daquela madrugada, provam o contrário.

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