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Bolsonaro recebe alta e deixa hospital três semanas após cirurgia

Por Folha de São Paulo

04/05/2025 18h30 — em
Política



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta do Hospital DF Star, em Brasília, neste domingo (4), onde estava internado havia três semanas. Ele se recupera de uma cirurgia abdominal a que precisou se submeter após passar mal em viagem ao Rio Grande do Norte.

Ele foi recebido por mais de 20 militantes que o esperavam na porta do hospital com bandeiras e fazendo filmagens. Na saída, voltou a fazer críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e chamou apoiadores para protesto pela anistia dos réus do 8 de janeiro que está marcado para esta quarta-feira (7).

"Depois de 3 semanas, alta prevista para hoje, domingo, às 10h. Obrigado meu Deus por mais esse milagre (12 horas de cirurgia). Obrigado Dr. Cláudio Birolini e equipe. Volto para casa renovado", escreveu em rede social, ainda pela manhã.

O ex-presidente teve complicações relacionadas à facada que recebeu durante agenda eleitoral em 2018. De acordo com os médicos, o risco do quadro voltar "nunca é zero". A equipe recomendou que Bolsonaro mantenha um resguardo de três a quatro semanas, e que receber visitas ficaria a critério do ex-presidente.

Bolsonaro disse em rede social que seu "próximo desafio" será acompanhar a "Marcha Pacífica da Anistia Humanitária" na quarta-feira, em Brasília.

A equipe médica, no entanto, contraindicou a participação no evento e afirmou que o ex-presidente deve evitar aglomerações e multidões devido ao risco de infecção.

"Nós passamos as instruções para o presidente para que ele não participe diretamente do ato, presencialmente do ato, porque isso não seria recomendado neste momento", disse o médico chefe da equipe, Cláudio Birolini.

De acordo com ele, a recuperação de Bolsonaro foi acima do esperado. "Todas as interferências que ocorreram foram realmente solucionadas e agora ele está pronto realmente para gradativamente voltar à vida normal", afirmou.

Na saída do hospital, o ex-mandatário falou com jornalistas e voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes e o governo Lula.

Disse que não dá para "essas pobres pessoas continuarem presas", referindo-se aos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro de 2023. "É inacreditável que continuem essas narrativas ainda", disse.

"É humanitário acolher a [ex-]primeira-dama do Peru por corrupção, mas a Débora [Santos, condenada a 14 anos de prisão], com duas crianças pequenas em casa?"

Ele também questionou o fato de o ministro ter liberado o acesso às provas contra ele nos autos que investigam seu envolvimento na trama golpista de 2022 apenas na semana passada. "O senhor Alexandre Moraes acabou de dizer que agora entregou tudo para nós. Ué, nós fizemos uma defesa sem tudo?"

Mais tarde neste domingo, em sua primeira publicação após deixar o hospital, o ex-presidente voltou a convocar manifestantes para o ato contra a anistia. "Tentarei estar presente se a situação de saúde do momento permitir", escreveu.

Bolsonaro deu entrada no hospital no dia 12 de abril, quando foi transferido de Natal para a capital federal.

Na noite de sábado, o ex-presidente postou foto de seu abdômen aberto durante o procedimento e escreveu: "Como estavam as alças intestinais após o acesso à cavidade abdominal e liberação parcial das aderências".

No X (ex-Twitter), a foto recebeu um "aviso de conteúdo", advertência publicada para imagens fortes.

A última nota publicada pela unidade hospitalar, do sábado, informava que ele estava estável clinicamente, sem dor ou febre e com pressão arterial controlada.

Bolsonaro havia deixado a UTI (unidade de terapia intensiva) na quarta (30), depois de apresentar "boa aceitação de dieta líquida" e melhora progressiva dos movimentos intestinais espontâneos.

Diariamente, o ex-presidente vinha publicando fotos e relatos de seu estado de saúde em suas redes sociais. Ele chegou a conceder entrevista e fazer live em seu perfil.

Durante a internação, Bolsonaro foi intimado por uma agente do STF na UTI, acerca do caso em que é acusado de envolvimento na trama golpista de 2022.

Ele gravou na ocasião um vídeo reclamando em frente à oficial de Justiça. "A senhora tem ciência que está dentro de uma sala de UTI, no hospital?", perguntou.

A cirurgia foi a sexta na região do abdome realizada por Bolsonaro desde a facada, e a mais difícil de todas devido ao acúmulo de procedimentos, segundo médicos ouvidos pela reportagem. Durou 12 horas.

No procedimento, os médicos removeram aderências no intestino e reconstruíram a parede abdominal.


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