A maior festa do Cristianismo, o Natal, será daqui a poucos dias. Famílias e amigos, como de costume, se reunirão para a tradicional Ceia e troca de presentes. Ou algo semelhante. Porém, desde o início de dezembro, o “espírito” natalino já se manifesta em todos os setores, incluindo o comércio, com o colorido das decorações e o querido Papai Noel. A mensagem implícita: esse é um tempo de paz, reflexão, perdão, alegria. Uma data para amolecer corações, se tal fosse possível. E pode ser possível.
Flávio Lauria, colunista do Portal do Holanda, escreveu o texto “As ilusões de todos nós”, publicado no dia 16 deste mês. “Aproximação do Natal. Recordações do passado. Lembranças machucadas, que de tão revividas precisam ser passadas a ferro a fim de que readquiram a suavidade, a serenidade, a lisura das reminiscências da infância”, iniciou. Mais um pouco e vem uma reflexão/sugestão. “Ler, não os livros técnicos que têm a frieza dos laboratórios, mas dos profetas que falam a linguagem da poesia, ou mesmo quando não cantam as flores e o nascimento”.
Ele continua: “Conhecendo a sapiência dos santos e dos personagens bíblicos, tentar reduzir a apreensão do meu próprio mundo e aguardar e aguarda com perseverança tranquila, os sonhos sentidos e vividos num coração que ainda não perdeu a capacidade de crer no que virá. Coisas que sinto nesta época”. Vale registrar que Lauria já havia escrito outra coluna sobre o mesmo assunto, no dia 14 de dezembro, com o título “Mês da Esperança”, em que se revelou um pouco poeta.
“Daqui a poucos dias, estaremos no Natal, posso ser repetitivo, e até exteriorizar o mesmo pensamento em alguns artigos natalinos, mas estou perdoado e talvez por ser este o mês da esperança, dos aconchegos, de abraços de perdão das mangas açucaradas dos quintais e bosques, fico um pouco “poeta”. Ainda nesse mesmo texto, Lauria fala “das boas lembranças de outros dezembros de muitos Natais” e também “de um ano dourado qualquer daqueles da década de sessenta ou setenta”. E deixa sua mensagem de paz.
“Esqueçamos, pelo menos em razão da paz, as discórdias do ano que não passaram de meros equívocos da ilusão. Tranquemos o desnecessário ódio que porventura nos tenha atormentado, por momentos, na última gaveta do baú do esquecimento”. Leitores da coluna Espaço Crítico, sabem que Lauria não costuma usar termos “aveludados” em seus comentários. Ao contrário: quase sempre é direto e contundente. Um exemplo está na coluna “O que os políticos fazem”, de 30 de novembro deste ano, quando relembrou o caso de “uma atriz de cinema pornográfico”.
Semifinalista da I Maratona internacional de Sexo, realizada na Europa, com disputas ao vivo, ela contou ter praticado sexo com 633 homens durante oito horas ininterruptas. Lauria ainda fez uns cálculos sobre a rapidez do desempenho sexual da atriz (“bonita, 25 anos de idade”),dos atores envolvidos, e concluiu: “Estão querendo nos impor uma maratona de sexo explícito no sentido figurado”. Isso depois de citar o Judiciário e gente do Congresso Nacional. É apenas um exemplo. Mas este é o mês do Natal e Lauria deseja paz. Paz, amor, esperança, harmonia, felicidade, são expressões carinhosamente usadas nesta época do ano.
Mas a concretização desses desejos ao próximo, que ninguém duvida sejam sinceros, não encontram espaço na realidade. A mortandade constatada na guerra entre Israel e o Hamas, a guerra entre Rússia e Ucrânia (iniciada em fevereiro de 2022), são exemplos de um mundo sem paz. E as “guerras” nossas de cada dia? Basta alguns momentos de atenção ao noticiário policial aqui do Amazonas, em qualquer horário, para constatar o quanto a palavra paz está mais para utopia. E quanto o ato de matar está banalizado. Além de outros tipos de violência que já se tornaram corriqueiros. A Coluna pinçou alguns casos ocorridos nesta segunda-feira 18 (uma semana antes do Natal).
O caso de um barbeiro, de 38 anos, chama a atenção. De acordo com o noticiário, dois homens assaltaram a barbearia durante a manhã, mas o dono reagiu e conseguiu tomar a arma de um dos criminosos. Mais tarde, os criminosos voltaram e o mataram. Ou seja: um assassinato à luz do dia. Também na segunda-feira 18, a polícia informou sobre a prisão de quatro homens que, no domingo à noite, estavam prontos para assaltar um ônibus. O motorista desconfiou e conseguiu avisar a Polícia. Faca, munições, simulacro de pistola, arma tipo garrucha foram encontradas pelos policiais. Assalto a ônibus é outro tipo de violência que a população de Manaus enfrenta. Sem solução à vista.
A MAIOR RELIGIÃO DO MUNDO
De acordo com os dados disponíveis na internet, a população mundial (até novembro deste ano) é de aproximadamente 8,07 bilhões. O Cristianismo é a maior e mais difundida religião do mundo, com cerca de 2,4 bilhões de seguidores. Os cristãos constituem a maioria da população em 157 países e territórios. É uma religião monoteísta “e se baseia na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré”, confirma o Google. Em 2021, 172.300.000 brasileiros se declaravam cristãos (recentes pesquisas indicam que o Protestantismo está crescendo no Brasil, com a consequente queda do Catolicismo).
O Natal é considerado o dia do nascimento Jesus, o Salvador. O ano que está prestes a terminar é uma convenção chamada calendário gregoriano, instituído em 1582, sob as bênçãos do papa Gregório XIII (para substituir o calendário juliano). Assim posto, no meio de muita incerteza para uns e esperança sempre renovada para outros, parece razoável simplesmente esperar chegar 2024, para ver o que acontece. E seja lá o que aconteça, os veículos de comunicação estarão a postos para registrar.
Oxalá possam registrar, para a humanidade, mais vitórias do que derrotas, mais satisfação do que desânimo.

