Não se deve usar crase antes de palavra masculina. É uma regrinha ensinada desde os primeiros tempos de escola. “O fenômeno da crase existe quando há uma fusão (ou contração) entre a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”. Logo, se a palavra seguinte à preposição “a” for masculina, o acento grave indicativo da crase não é admitido”, explicam professores de português. E crase antes de nome próprio masculino?
“A crase não deve ser empregada junto a nomes próprios. Os nomes próprios indicam um nome específico, em geral destinado a um ser particular em oposição a um ser genérico – nome comum (ex: cidade: ser genérico=nome comum; Campo Grande: ser específico=nome próprio”. Resposta que pode ser encontrada também na internet.*
A bendita crase, bicho-papão que persegue escrivinhadores, surgiu aqui por causa da seguinte manchete, no Portal do Holanda: “Justiça Federal concede liberdade provisória à prefeito de Borba, Simão Peixoto”. Olha aí a crase antes de palavra masculina (prefeito). O erro, primário, está na manchete sobre o fato . Não é necessário dizer que houve descuido, que faltou revisão. Manchete, claro, é a primeira coisa vista pelo leitor e fator determinante para ele prosseguir lendo – ou não. Daí a responsabilidade e o esforço de quem é responsável pela construção da manchete, em qualquer matéria jornalística.
A reportagem aqui comentada, fala do prefeito de um dos 61 municípios do Estado do Amazonas, agora em liberdade provisória, determinada pela Justiça. Havia sido afastado depois de ser preso, acusado de chefiar organização criminosa. Junto com ele, mais dez pessoas. Todas essas informações estão muito bem explicadas na matéria. Apenas faltou informar a localização do município de Borba e o partido do prefeito. São detalhes importantes para o leitor e por isso não deveriam ser esquecidos. E vamos aprendendo. Não é uma crase que vai desanimar um repórter. Especialmente se não foi ele o autor da manchete.

