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Quando a retrospectiva é importante no texto

Nesta segunda-feira 10, uma professora de 35 anos foi esfaqueada durante um assalto ao ônibus onde ela estava (quando se recusou a entregar seu telefone celular, o bandido a feriu no braço, usando uma faca, segundo a própria vítima declarou).  Na matéria publicada no Portal do Holanda (Professora é esfaqueada durante assalto a ônibus da linha 600 em Manaus), todos os elementos para a compreensão da notícia estão presentes. A reportagem traz depoimento da professora, do motorista, descreve a ação dos bandidos e o desfecho do caso. Mas faltou alguma coisa a mais?

Faltou citar o Botão do Pânico. Trata-se de um projeto do vereador Lissandro Breval (Avante), aprovado na CMM (Câmara Municipal de Manaus), no dia 5 do presente mês. Uma vez aprovado, manda o rito que o projeto seja encaminhado ao prefeito David Almeida (Avante), para sanção ou veto. O que é o Botão do Pânico? Um dispositivo a ser instalado nos ônibus de transporte coletivo da capital e que permite acionar a polícia, imediatamente, em casos de assaltos. A instalação do equipamento será obrigatório: basta que o prefeito sancione a lei.

A notícia também foi divulgada no Portal do Holanda, no mesmo dia da aprovação da proposta do vereador Breval. Não seria o caso de relembrar esse fato, diante de um novo assalto a ônibus, quando uma professora sofreu ferimento a faca? Afinal, existe ou não existe disposição do prefeito em sancionar a lei? O prefeito ou algum assessor poderia ter sido questionado a respeito. O vereador também poderia ter sido ouvido. E uma rápida busca na internet mostraria que o Sindicato dos Rodoviários, por exemplo, não aceita a proposta e defende o veto.

Em nota divulgada logo no dia seguinte da aprovação do projeto, o presidente do Sindicato, Givancir Oliveira, reclamou muito. Disse que o relator (do projeto) não convidou nenhum representante da categoria “para questionar ou dá sugestões”.  E ainda afirmou que os rodoviários teriam reunião com o prefeito, para pedir o veto. A nota do Sindicato dos Rodoviários foi divulgada no dia 6 de julho. Depois dessa data, o que aconteceu? Alguma informação a respeito bem poderia constar na reportagem. 

No Blog do Hiel Levy, nesta segunda-feira, Breval se defende das críticas. Matéria baseada no pronunciamento do vereador, na sessão plenária de hoje, na CMM. Além de afirmar que o projeto passou por todas as comissões e foi “aprovado sem discussões”, garantiu: “Eu não jogo em time de empresário, nem em time de sindicato. Eu jogo no time da população. Eu estou aqui pela população. Tem gente morrendo, sendo humilhado (sic) todos os dias. Vamos usar tecnologia, trazer dados. Eu topo discutir e rediscutir. Eu quero resguardar a segurança da população”. 

É sobre isso que se está falando aqui. Incluir ao menos um pouco de retrospectiva no texto, o que significa mais informação, dá mais consistência ao relato. Inegável a necessidade de mais tempo para construir a matéria... e driblar a “ditadura do fechamento”.

 

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