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Ponta Negra espera a subida das águas

A praia da Ponta Negra (zona oeste de Manaus) continua proibida para os banhistas. Consequência da severa vazante. Nesta segunda-feira 11, o Rio Negro atingiu a marca de 15,34 metros. Essa marca é 4,41 metros menor do que a registrada nos últimos dez anos. Para efeito de comparação: nos anos de 2013 a 2022, no mesmo período, a média chegou a 19,75 metros. A interdição da praia foi decretada em 2 de outubro, por 90 dias, portanto está vigor. Nem por isso faltam banhistas dispostos a burlar o bloqueio e entrar água, ignorando as muitas placas de alerta.

Também não falta gente da fiscalização para retirá-los das águas da única praia da área urbana de Manaus, situada num grande complexo turístico, com áreas de lazer, restaurantes, calçadão para caminhadas e passeios. Sem contar com a visão do majestoso Rio Negro que torna o pôr do sol ainda mais belo. Os frequentadores são livres para aproveitar todo o amplo espaço de areia para atividades esportistas e recreativas. Só estão proibidos de entrar no rio, até que as água do Rio Negro voltem à normalidade. Tudo por uma questão de segurança, inclusive para evitar afogamentos. 

O nível do Rio Negro, anunciado nesta segunda-feira, foi assunto amplamente divulgado na imprensa local. Junto, explicação de autoridades para a proibição de banhos no rio, como medida de segurança e prevenção. Mas por que tamanha preocupação? É que a praia da Ponta Negra (agora ampliada com a descida das águas) fica próximo ao final do aterro perene e o leito natural do rio, que pode apresentar alterações no terreno, como buracos, desníveis e depressões, conforme detalha o Portal do Holanda. Em 2015, também por medida de segurança, a praia ficou interditada quando o Rio Negro ficou abaixo de 16 metros. 

O complexo turístico da Ponta Negra está situado no bairro do mesmo nome, região nobre da capital, um dos locais de lazer mais visitados e onde acontecem grandes eventos. Famosos cantores nacionais já se apresentaram no local. A partir do ano 2000, quando passou por uma reforma, ganhou até novo calçadão com pedras portuguesas, escadaria e anfiteatro. Todo histórico do lugar está registrado na imprensa. O que se chama de praia permanente, por exemplo, é de areia dragada dos rios Negro e Solimões, como se pode ler no jornal A Crítica, assinada por Florêncio Mesquita, em 11 de junho de 2012. 

“O trecho de areia tem 40 metros de largura por 400 metros de extensão, além do calçadão que margeia a praça”, escreveu Mesquita. “A praia fica permanente, mesmo no período das cheias”.  E no dia 22 de junho de 2012, o G1 AM, em matéria assinada por Marina Souza, informa que a prefeitura de Manaus havia interditado a praia da Ponta Negra pela segunda vez, depois de 13 mortes por afogamento. Outra matéria do G1 AM diz que o “aterro artificial” da Ponta Negra gerou “desníveis abruptos” de até seis metros. Falha apontada num laudo da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). O prefeito da época era Amazonino Mendes (hoje falecido). 

Agora em 2023, diante da seca, a preocupação das autoridades é com o “aterro perene e o leito natural do rio, que pode apresentar alterações no terreno, como buracos, desníveis e depressões”. Tais percalços, certamente, não foram previstos quando se pensou em aumentar a extensão da praia. A intenção era não deixar a população sem praia, mesmo no período das enchentes. Essa rápida retrospectiva é apenas para lembrar: em 20 anos, muita coisa pode mudar. E a imprensa está aí para fazer o registro.

 Ao finalizar este texto, a Coluna faz uma sugestão ao Portal do Holanda. 

Que tal defender a ideia de construir um Piscinão, em Manaus? No Rio de Janeiro deu muito certo. Um piscinão não tem desníveis, buracos e nem depressões. Pode até ser uma ideia de jerico. Mas, a ideia de encompridar a praia da Ponta Negra parece que não deu muito certo.

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