Afinal, quem é Tenório?
“Trazer as pessoas para conhecer a sua história, o seu passado. Quando chegamos aqui, por exemplo, essa praça era dominada pela criminalidade e com o trabalho de ocupação, com as atividades culturais, essas pessoas começaram a se afastar. O que vem contribuir para que o Centro Histórico de Manaus seja revitalizado, tenha a presença dos cidadãos e promova com constância essas atividades culturais”, completa Tenório.
Exatamente assim está escrito no segundo parágrafo da matéria “Atrações gratuitas atraem população para o centro durante SouManaus”, publicada no Portal do Holanda, no dia 6 deste mês, às 23h44. Tudo bem se, no primeiro parágrafo, o leitor ficasse sabendo quem era Tenório e o seu sobrenome. Porém, ao fim da matéria de três parágrafos, tais informações não aparecem. Não apareceram naquele dia e nem nos dias seguintes.
Para situar o leitor neste comentário, vamos ao fato.
Lê-se no primeiro parágrafo: “O festival #SouManaus Passo a Paço 2023, realizado nos dias 5,6 e 7 de setembro traz em sua essência a valorização do centro histórico da cidade, ocupando espaços como Paço da Liberdade e praça Dom Pedro II com diversas atividades culturais, permitindo com que as famílias redescubram esse espaço da cidade”. Como se percebe, não há nenhuma referência a alguém chamado Tenório.
O segundo parágrafo, citado logo no início da coluna, começa com aspas, sinal de que vem declaração de alguém. No caso, não veio. Ou veio pela metade. Na redação/edição, ninguém percebeu a falha. O único personagem da matéria não tem sequer sobrenome! No linguajar de jogadores de baralho: passou batido. Já o terceiro parágrafo trouxe todas as informações sobre o evento cultural que movimentou Manaus na Semana da Pátria. Da forma que deve ser. Apenas sem o Tenório.
Conforme já foi abordado em outras ocasiões, a tarefa de escrever, informar, requer muito cuidado e atenção, porque não é fácil. A correria para entregar o material a ser publicado, por exemplo, pode levar a descuidos igual a esse aqui referido. Mas existe uma equipe de trabalho na redação, cuja tarefa é entregar ao leitor um produto com a melhor qualidade possível. Ao mesmo tempo, o esforço pessoal não pode ser deixado de lado. Ao contrário: melhorar a cada dia, deve ser o objetivo.
Por outro lado, o comentário de hoje dá oportunidade de relembrar a coluna Ombudsman “Distinção entre conteúdo patrocinado e o trabalho produzido pela redação”, de 28 de agosto deste ano. O texto tomou como base uma análise do ombudsman da Folha de S. Paulo, José Henrique Mariante, sobre a nova realidade enfrentada pelos grandes jornais: a divulgação de material produzido por agências, que não pode ser confundido com o trabalho feito nas redações. O leitor precisa saber a diferença.
Escreveu Mariante: “Por transparência, é preciso bem distinguir conteúdo patrocinado do editorial. Concepção visual diferente e tarjas são ferramentas usuais para sinalizar a natureza do produto publicado. Assim funciona há anos na Folha e em outros jornais, no Brasil e no mundo”. Patrocinado quer dizer material pago para ser divulgado. Material de assessoria. No Portal do Holanda, ao final de certas matérias pode-se ler um lembrete: “com informações da assessoria”. Mas o cuidado precisa ser redobrado. Até para evitar um outro quase anônimo Tenório em alguma notícia.
ASSUNTOS: Ombudsman