Um terço dos norte-americanos apoia ataque dos EUA à Venezuela, mostra pesquisa Reuters/Ipsos
Por Jason Lange
WASHINGTON, 5 Jan (Reuters) - Um em cada três norte-americanos aprova o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela que derrubou o presidente do país e 72% temem que os EUA se envolvam demais no país sul-americano, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira.
O levantamento de dois dias mostrou que 65% dos republicanos apoiam a operação militar ordenada pelo presidente republicano Donald Trump, em comparação com 11% dos democratas e 23% dos independentes.
Forças norte-americanas entraram em Caracas antes do amanhecer de sábado em um ataque fatal que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que os militares dos EUA entregaram às autoridades federais para ser processado por acusações envolvendo suposto tráfico de drogas.
A incursão e a declaração subsequente de Trump de que os EUA agora "governariam" a Venezuela marcaram um forte afastamento de um presidente que há muito tempo criticava outros líderes dos EUA por envolvimentos no exterior.
A medida foi tomada depois que seu governo sinalizou que pretendia se concentrar principalmente na economia doméstica, uma preocupação significativa para os eleitores que caminham para as eleições de meio de mandato deste ano, que determinarão o controle do Congresso nos últimos dois anos do mandato de Trump.
REPUBLICANOS APÓIAM POLÍTICA "DOMINANTE"
Realizada no domingo e nesta segunda-feira, a pesquisa Reuters/Ipsos mostrou um apoio significativo entre os republicanos a uma política externa que inclui exercer influência sobre países próximos.
O levantamento mostrou que 43% dos republicanos disseram concordar com a declaração "Os Estados Unidos devem ter uma política de domínio dos assuntos no Hemisfério Ocidental", em comparação com 19% que discordaram. Os demais disseram não ter certeza ou não responderam à pergunta.
No sábado, Trump disse que os EUA "governariam" a Venezuela por um período não especificado e poderiam enviar tropas terrestres. Prometendo reformar o setor petrolífero da Venezuela, ele disse no domingo que os EUA precisam de "acesso total" aos grandes campos de petróleo do país.
A pesquisa Reuters/Ipsos apontou que 60% dos republicanos disseram apoiar o envio de tropas norte-americanas para a Venezuela, em comparação com 30% dos norte-americanos em geral. Cinquenta e nove por cento dos republicanos disseram que apoiavam que os EUA assumissem o controle dos campos de petróleo na Venezuela.
Ainda não estava claro como Trump pretende cumprir sua promessa de administrar a Venezuela. No domingo, ele pareceu indicar que Washington controlaria a Venezuela intimidando seus líderes em vez de realmente governar o país.
"Se eles não se comportarem, faremos um segundo ataque", disse Trump. Independentemente do rumo que ele tome, a pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 65% dos republicanos apoiam que os EUA governem a Venezuela.
Os republicanos estão mais divididos em suas preocupações sobre como o envolvimento dos EUA poderia evoluir. Cerca de 54% dos republicanos disseram que temem que os EUA se envolvam demais na Venezuela.
A mesma porcentagem expressou preocupação com os custos financeiros, em comparação com 45% que disseram não estar preocupados. Sessenta e quatro por cento dos republicanos temiam que o envolvimento dos EUA colocasse em risco a vida de militares na Venezuela.
A pesquisa, que entrevistou 1.248 adultos norte-americanos em todo o país, mostrou que o índice de aprovação de Trump é de 42%, o índice mais alto desde outubro e acima dos 39% em dezembro. A pesquisa, que foi realizada online, tem uma margem de erro de cerca de 3 pontos percentuais.
(Reportagem de Jason Lange em Washington)
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