Polícia revista mansão da realeza em meio a investigação sobre irmão do rei Charles
Por Phil Noble e Kate Holton e Michael Holden
SANDRINGHAM, Inglaterra, 20 Fev (Reuters) - A polícia britânica revistou na sexta-feira a antiga mansão do irmão mais novo do rei Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, depois que uma foto do membro da realeza saindo de uma delegacia de polícia foi publicada em jornais de todo o mundo.
Mountbatten-Windsor foi detido na quinta-feira, seu aniversário de 66 anos, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, devido a alegações de que ele enviou documentos confidenciais do governo ao financista Jeffrey Epstein, quando era enviado comercial.
O ex-príncipe foi liberado sob investigação após ficar detido pela polícia por mais de 10 horas. Ele não foi acusado de nenhum crime, mas parecia assombrado em uma foto da Reuters após sua libertação, encurvado no banco de trás de um Range Rover, com os olhos vermelhos e uma expressão de descrença no rosto.
A foto de um homem que já foi um elegante oficial da Marinha e filho favorito da falecida rainha Elizabeth foi publicada na primeira página de jornais no Reino Unido e em todo o mundo, acompanhada de manchetes como “Queda”.
Mountbatten-Windsor sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein, um criminoso sexual condenado que tirou a própria vida em 2019, e disse que se arrepende de sua amizade. Mas a divulgação de milhões de documentos pelo governo dos Estados Unidos mostrou que ele continuou amigo de Epstein muito tempo depois que o financista foi condenado por solicitar prostituição de uma menor em 2008.
Esses arquivos sugeriram que Mountbatten-Windsor havia encaminhado a Epstein relatórios do governo britânico sobre oportunidades de investimento no Afeganistão e avaliações do Vietnã, Cingapura e outros lugares que ele havia visitado como representante especial do governo para comércio e investimento.
A prisão do membro sênior da realeza, oitavo na linha de sucessão ao trono, é algo sem precedentes nos tempos modernos. O último membro da família real a ser preso no Reino Unido foi Carlos 1º, que foi decapitado em 1649 após ser considerado culpado de traição.
O rei Charles, que tirou de seu irmão o título de príncipe e o expulsou de sua casa em Windsor no ano passado, disse na quinta-feira que recebeu a notícia da prisão com “profunda preocupação”.
“Deixe-me afirmar claramente: a lei tem que seguir seu curso”, afirmou o rei. “O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes.”
(Reportagem de Phil Noble em Sandringham e Kate Holton e Michael Holden em Londres)
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