OMS vê ‘ameaça global’ com fim de recursos dos EUA a programas de Aids
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta grave sobre os impactos da suspensão do financiamento dos Estados Unidos a programas de HIV, como o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR). A medida, tomada durante o governo de Donald Trump, afeta diretamente milhões de pessoas em países de baixa e média renda, incluindo o Brasil, e pode colocar em risco a vida de mais de 30 milhões de pessoas que dependem desses recursos para ter acesso a tratamento.
A OMS afirmou que, caso a suspensão seja prolongada, o mundo pode enfrentar um retrocesso nos avanços no combate à Aids, com aumento de novas infecções e mortes.
O corte de recursos determinou que países onde o PEPFAR atua interrompam a distribuição de medicamentos contra o HIV, mesmo quando já estocados localmente. Isso resultou no fechamento de clínicas e na suspensão de atendimentos em diversos países, especialmente na África, como na África do Sul e Nigéria, onde os impactos financeiros já são significativos.
O Brasil também é afetado, pois o programa financia ações de conscientização, prevenção e acesso a autotestes. Além disso, o PEPFAR fortalece o sistema de saúde no país, ampliando a profilaxia pré-exposição (PrEP) e facilitando o diagnóstico precoce.
O Ministério da Saúde do Brasil foi questionado sobre os impactos da suspensão do financiamento no país, mas ainda não se manifestou oficialmente. Dados do Ministério apontam que cerca de 1 milhão de pessoas vivem com HIV no Brasil, com 46.495 novos casos registrados em 2023, além de 10.338 mortes relacionadas à Aids, o número mais baixo dos últimos 10 anos.
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