Governo diz que não há brasileiros feridos em ataque dos EUA contra a Venezuela
Em meio à escalada de tensão após o início dos bombardeios e da invasão dos Estados Unidos à Venezuela, o governo brasileiro informou, neste sábado (3), que não há registro de brasileiros feridos ou vítimas entre a comunidade residente no país vizinho. A garantia foi dada por ministros após reunião de emergência realizada no Itamaraty.
De acordo com a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, a situação dos cidadãos brasileiros em território venezuelano é acompanhada de perto e, até o momento, a orientação é de normalidade para esse grupo.
"A comunidade brasileira está tranquila e nenhuma ocorrência até o momento. Os turistas que lá estão conseguindo sair normalmente. Normalidade total com relação à comunidade brasileira", afirmou a ministra.
Apesar dos ataques aéreos e da captura do presidente Nicolás Maduro por militares estadunidenses, o ministro da Defesa, José Múcio, assegurou que a fronteira em Roraima permanece aberta e sob controle.
O Brasil mantém 10 mil militares na região amazônica, sendo 2,3 mil posicionados estrategicamente em Roraima.
O governo aguarda novos pronunciamentos da Casa Branca e mantém o monitoramento em tempo real para evitar transbordamentos do conflito para o solo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou da reunião por videoconferência, reiterou a condenação do Brasil à ofensiva militar e à prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O Itamaraty classificou a ação como uma intervenção direta, comparando-a à invasão do Panamá em 1989.
O governo brasileiro destacou que há muita "informação desencontrada" circulando e que uma segunda reunião de emergência foi convocada para o fim da tarde deste sábado para atualizar o panorama de segurança e o suporte aos brasileiros que ainda desejarem deixar a Venezuela.
Entenda o conflito: A ação dos EUA é justificada por Washington sob acusações de narcotráfico contra a cúpula venezuelana, mas analistas apontam motivações geopolíticas ligadas ao controle das maiores reservas de petróleo do mundo e ao afastamento de influências russas e chinesas na região.
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