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Drones paralisam aeroporto de Copenhague após acusações de invasão da Rússia em vizinhos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Dinamarca afirmou que os drones que interromperam voos no aeroporto de Copenhague, capital do país, na segunda-feira (22) representaram o ataque mais grave até agora contra a infraestrutura do país.

Sem citar diretamente a Rússia, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse um dia depois, nesta terça (23), que o episódio "se encaixa nos acontecimentos observados recentemente", em referência à recente incursão de drones russos que colocou a Polônia e o resto da aliança militar Otan em alerta.

Frederiksen afirmou ainda que o incidente parecia ter como objetivo "perturbar e criar agitação". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, afirmou que a Otan tem o direito de abater aeronaves russas em caso de invasão ao espaço aéreo de algum país que faça parte da aliança.

A declaração do americano faz crescer os temores de um embate direto entre a Rússia e a Otan, o que, na prática, daria início à Terceira Guerra Mundial. Numa aparente tentativa de aliviar a tensão, Moscou logo negou relação com o episódio. "As suspeitas de envolvimento russo não têm fundamento", disse o embaixador do país na Dinamarca, Vladimir Barbin, em comunicado enviado à agência de notícias Reuters.

"O incidente no céu sobre o aeroporto de Copenhague revela um claro desejo de provocar os países da Otan a um confronto militar direto com a Rússia", acrescentou. A Dinamarca integra a aliança militar desde 1949.

Três drones sobrevoaram a região perto do aeroporto da capital dinamarquesa e interromperam todas as decolagens e aterrissagens por quase quatro horas. As autoridades da Noruega também fecharam o espaço aéreo do aeroporto de Oslo por três horas após a detecção de um drone.

As paralisações nos aeroportos mais movimentados da região nórdica deixaram dezenas de milhares de passageiros retidos.

"O que vimos na noite passada é o ataque mais grave à infraestrutura dinamarquesa até hoje", disse Frederiksen no comunicado enviado à imprensa.

"Obviamente, não descartamos nenhuma opção em relação a quem está por trás disso. E é claro que isso se encaixa nos acontecimentos que temos observado recentemente com outros ataques de drones, violações do espaço aéreo e ataques cibernéticos a aeroportos europeus", afirmou.

Em entrevista à emissora pública DR, Frederiksen mencionou as recentes suspeitas de incursões de drones russos no espaço aéreo da Polônia e da Romênia, além de a Estônia ter relatado que jatos russos entraram em seu espaço aéreo na sexta-feira.

A polícia dinamarquesa recusou-se a comentar uma publicação no X feita pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que, sem apresentar provas, afirmou que a Rússia estava por trás da violação do espaço aéreo de Copenhague.

A polícia dinamarquesa afirmou que os drones vieram de diferentes direções, acendendo e apagando as luzes, antes de desaparecerem após várias horas.

O superintendente-chefe da polícia dinamarquesa, Jens Jespersen, disse a repórteres nesta terça que as autoridades estavam investigando várias hipóteses, incluindo a possibilidade de que os drones tenham sido lançados de navios.

O principal aeroporto da Dinamarca fica próximo a uma movimentada rota marítima por onde embarcações entram e saem do Mar Báltico. Dados do site Marinetraffic.com mostraram que um navio da Marinha Real dinamarquesa patrulhou as águas próximas a Copenhague por várias horas na manhã de terça.

Ainda era cedo para dizer se os incidentes na Dinamarca e na Noruega estavam ligados, disse Jespersen.

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