Café arábica cai mais de 5% na semana; cacau atinge mínimos de dois anos
NOVA YORK, 30 Jan (Reuters) - Os contratos futuros do café arábica na bolsa ICE caíram nesta sexta-feira e registraram uma perda de 5,3% na semana, com as chuvas de janeiro no Brasil levando os agricultores a venderem seus estoques, enquanto os futuros do cacau recuaram para seus níveis mais baixos em mais de dois anos, pressionado pelo aumento dos estoques.
CAFÉ
* O café arábica fechou em queda de 13,25 centavos, ou 3,8%, a US$3,3225 por libra-peso, após cair para US$3,3090, o menor nível em cinco meses e meio.
* Os corretores afirmaram que o clima favorável ao desenvolvimento das culturas no Brasil levou os agricultores a aumentar suas vendas antecipadas, temendo que os preços pudessem cair ainda mais no futuro.
* "Os agricultores estão mais otimistas em relação à produção deste ano e mais dispostos a fechar negócios para entrega futura", disse um corretor de uma empresa europeia de comercialização de café. "Comprei 20.000 sacas de um agricultor da região do Cerrado (Minas Gerais, Brasil) hoje", disse ele.
* O consultor da indústria cafeeira Marc Schonland observou que o aumento nas sacas de arábica chegando aos armazéns certificados da ICE também é um fator de baixa.
* "Há relatos de um 'carregamento' de cafés da América Central a caminho da bolsa", disse ele, referindo-se ao café da América Central.
* O café robusta caiu 1,6%, para US$4.113 a tonelada métrica. Ele perdeu 5% na semana.
CACAU
* O cacau de Nova York fechou em queda de US$12, ou 0,3%, a US$4.165 a tonelada, após cair para uma mínima de mais de dois anos, de US$3.931.
* Os comerciantes afirmaram que a fraca demanda levou a um acúmulo de estoques não vendidos na Costa do Marfim e em Gana, enquanto a perspectiva de outro excedente global em 2026/27 contribuiu para o clima pessimista.
* A demanda por cacau caiu drasticamente depois que os preços quase triplicaram em 2024, levando os fabricantes de chocolate a reformular os ingredientes e reduzir o tamanho das barras.
* O cacau de Londres pouco mudou, ficando em 2.913 libras por tonelada, após atingir o menor valor em mais de dois anos, de 2.728 libras.
AÇÚCAR
O preço do açúcar bruto fechou em queda de 0,43 centavo, ou 2,9%, a 14,27 centavos por libra, após atingir uma mínima de 2 meses e meio de 14,15 centavos. O contrato caiu 3,1% na semana.
* Os corretores afirmaram que o forte final da safra na Índia contribuiu para o clima "baixista".
* "O setor açucareiro indiano está passando por uma temporada favorável, beneficiando-se da alta disponibilidade de água em 2025, da expansão da área plantada e do clima positivo da monção", afirmou a corretora StoneX em um relatório.
* Na sexta-feira, a StoneX previu que haveria um excedente global de açúcar de 2,86 milhões de toneladas métricas na temporada 2026/27.
* O açúcar branco caiu 1,7%, para US$405,10 a tonelada, tendo perdido 3,3% na semana.
(Reportagem de Nigel Hunt e Marcelo Teixeira)
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