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Ação da Glencore dispara com perspectiva de formar com Rio Tinto maior mineradora do mundo

Por Reuters

09/01/2026 16h48 — em
Geral



Por Clara Denina

LONDRES, 9 Jan (Reuters) - As ações da Glencore subiram mais de 10% nesta sexta-feira, após a notícia de que ela está em negociações com a Rio Tinto sobre uma aquisição que criaria o maior grupo de mineração do mundo, avaliado em quase US$207 bilhões.

Embora a Glencore tenha se valorizado, as ações da Rio Tinto caíram até 3%, refletindo o ceticismo dos investidores em relação a um acordo e as preocupações de que ela pague a mais.

As duas mineradoras já discutiram a combinação de suas operações anteriormente. Em 2014, a Rio Tinto rejeitou uma oferta de fusão da Glencore, dizendo que não era do interesse de seus acionistas.

As negociações de fusão no final de 2024 também terminaram sem um acordo.

CORRIDA PELO COBRE E OUTROS MINERAIS ESTRATÉGICOS

Desde então, a Rio Tinto nomeou um novo presidente-executivo e a competição por reservas de metais, incluindo cobre, necessárias para a transição energética e a inteligência artificial, intensificou-se.

Os preços do cobre atingiram níveis recordes nesta semana, já que os comerciantes preveem a escassez de oferta.

As empresas disseram no final da quinta-feira, depois que o jornal Financial Times relatou as negociações, que a expectativa era de uma compra de ações da Glencore pela Rio Tinto.

Poucos detalhes foram divulgados.

De acordo com as regras de aquisição do Reino Unido, a Rio Tinto tem até 5 de fevereiro para fazer uma oferta formal pela Glencore ou dizer que não vai prosseguir.

O APELO DO BRAÇO COMERCIAL DA GLENCORE

Embora o cobre seja uma motivação óbvia, as fontes disseram que o braço comercial de commodities da Glencore, que tem a reputação de capitalizar a volatilidade do mercado e uma rede invejável de contatos comerciais, foi outra parte do apelo.

Uma das fontes disse que Bold Baatar, que dirige as operações comerciais do Rio Tinto em Cingapura, tem ambições de tornar a divisão de comércio da empresa mais ativa.

Richard Hatch, analista da Berenberg, disse que um acordo fazia sentido e seguia fusões bem-sucedidas, como a da Anglo American e da Teck Resources, cuja lógica era o acesso ao cobre.

A Rio Tinto precisa de mais cobre, já que "o mercado (com ou sem razão) vê o minério de ferro como uma commodity que está enfrentando um declínio de preço", disse ele, acrescentando que é melhor comprar ativos de produção do que esperar para construir novas minas.

George Cheveley, gerente de portfólio de recursos naturais da gestora de investimentos Ninety One, que é acionista da Glencore, também disse que o cobre é o fator determinante.

Ele disse que o dia do investidor da Rio Tinto no mês passado "teve dificuldades para articular o crescimento do cobre para além de 2030", enquanto a Glencore tinha um pipeline de projetos.

Cheveley acrescentou que as incertezas enfrentadas nas negociações incluem se o BHP Group, atualmente a maior mineradora do mundo, sentiria a necessidade de se envolver.

Além disso, a Glencore se diferencia da Rio Tinto e de seus pares por ter optado por manter seus ativos de carvão, uma decisão que gerou lucros substanciais devido à alta dos preços nos últimos anos, mas que levanta questões sobre se os recursos de carvão da Glencore seriam mantidos por um grupo combinado.


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