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Augusto Melo diz que não vai renunciar se for indiciado no caso VaideBet

Por Folha de São Paulo

16/05/2025 18h30 — em
Esportes



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Corinthians, Augusto Melo, negou qualquer possibilidade de renunciar ao cargo caso seja denunciado pela Polícia Civil no inquérito que investiga possíveis irregularidades na intermediação do contrato de patrocínio entre o clube e a casa de apostas VaideBet.

"Jamais. Não tenho nada a ver com isso. São sempre as mesmas negociações. Tudo o que eu faço, tem o jurídico e o compliance que me dão o suporte", disse o cartola, nesta sexta-feira (16).

"Jamais vou renunciar, primeiro porque não tenho nada a ver com isso. Estou aqui em prol do Corinthians, não preciso do Corinthians. Outro dia, teve um atleta com dois empresários, dois intermediários. Hoje é assim, é normal. Nunca sentei com ninguém, nunca discuto nada sozinho", acrescentou Augusto Melo.

O dirigente depôs sob condição de investigado na reta final das investigações, iniciadas há quase um ano.

Um relatório parcial da Polícia Civil de São Paulo aponta que uma empresa agenciadora de jogadores de futebol, que foi acusada de ter uma suposta ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), recebeu mais de R$ 1 milhão a partir de pagamentos feitos pelo Corinthians.

Formalmente, a justificativa para os repasses de dinheiro foi a intermediação do contrato entre o clube de futebol e a casa de apostas esportivas online VaideBet.

Ao todo, R$ 1.074.150 chegaram até a conta bancária da empresa UJ Football Talent Intermediação. A empresa foi alvo da delação premiada do corretor de imóveis Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Segundo a delação, a UJ Football fazia lavagem de dinheiro do tráfico na aquisição dos atletas da elite do futebol brasileiro.

O dinheiro do Corinthians teria chegado até a empresa a partir de pagamentos do clube à empresa Rede Social Media Design. Ela pertence a Alex Fernando André, o Alex Cassundé, que fez parte da equipe de comunicação do atual presidente do Corinthians, Augusto Melo, durante a campanha eleitoral na qual ele concorreu para o cargo.

Procurada, a defesa de Alex Cassundé afirmou que ele "não tem nenhum conhecimento sobre a sequência de pagamentos" após suas transferências à Neoway, que ele desconhece as demais empresas envolvidas não tem o menor conhecimento sobre os pagamentos feitos à UJ Football.

Já o Corinthians publicou uma nota oficial em seu site afirmando que "não há qualquer demonstração de autoria relacionada aos fatos mencionados" e que "o presidente do clube reafirma seu total apoio às investigações em andamento, bem como a todas as iniciativas que visem apurar eventuais envolvimentos do crime organizado no futebol brasileiro". A reportagem não conseguiu contato com a UJ Football e a VaideBet.

A denúncia de que empresas laranjas teriam recebido dinheiro que veio do Corinthians motivou a rescisão do contrato da VaideBet com o clube, em junho do ano passado. O patrocínio da casa de apostas tinha sido o primeiro grande contrato firmado pela gestão de Augusto Melo.


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