Lagarde ameniza rumores sobre saída do BCE e afirma que espera concluir seu mandato
FRANKFURT, 20 Fev (Reuters) - A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, tentou amenizar as especulações sobre sua renúncia antecipada, que colocaram em dúvida a separação do banco central da política, dizendo ao Wall Street Journal que espera completar seu mandato.
O status de Lagarde como líder da instituição financeira mais importante da Europa foi colocado em dúvida esta semana depois que o Financial Times noticiou que ela planejava deixar o cargo antes das eleições presidenciais francesas, dando presidente Emmanuel Macron influência na escolha de seu sucessor.
Em entrevista ao WSJ na quinta-feira, Lagarde amenizou as especulações sobre uma saída iminente, mas ainda deixou a porta entreaberta para a possibilidade de que ela possa deixar o cargo antes do fim de seu contrato, em outubro de 2027.
“Quando olho para trás, para todos esses anos, acho que conquistamos muito, que eu conquistei muito”, disse ela ao jornal. “Precisamos consolidar e garantir que isso seja realmente sólido e confiável. Portanto, meu cenário básico é de que isso levará até o final do meu mandato.”
A Reuters noticiou com exclusividade que Lagarde enviou uma mensagem privada aos seus pares no BCE assegurando que continua concentrada no seu trabalho e que, se quisesse se demitir, eles saberiam por ela, e não pela imprensa.
O BCE afirmou que Lagarde não tomou nenhuma decisão sobre o fim de seu mandato, mas não negou a reportagem do FT.
Alguns analistas consideraram que uma saída antecipada poderia envolver o BCE na política europeia, pois poderia dar a impressão de que estaria tentando garantir que a extrema-direita eurocética francesa, que poderá vencer as eleições presidenciais do próximo ano, não tenha influência na sua sucessão.
Lagarde afirmou no ano passado que pretendia completar o seu mandato, um compromisso que ela visivelmente não repetiu esta semana.
O presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, anunciou planos para deixar o cargo na semana passada, em uma medida que dá ao presidente Macron a chance de escolher o próximo chefe do banco central francês, o que gerou críticas severas da extrema direita, que considerou a medida antidemocrática.
A saída antecipada de Villeroy e a confusão sobre o futuro de Lagarde ocorrem justamente quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está atacando o Federal Reserve, alimentando ainda mais os debates sobre a independência dos bancos centrais em relação à política.
“Após os recentes acontecimentos nos EUA, este é mais um lembrete de que, embora os bancos centrais sejam nominalmente independentes, quem os lidera e sua visão de mundo são questões de alta política”, escreveram economistas da Oxford Economics na sexta-feira.
Como chefe da segunda maior economia da zona do euro, o presidente francês desempenha um papel importante nas negociações para selecionar o chefe do BCE.
Lagarde disse ao WSJ que vê como missão a estabilidade financeira e de preços, bem como “proteger o euro, garantindo que ele seja sólido, forte e adequado para o futuro da Europa”.
Ela afirmou disse que o Fórum Econômico Mundial é “uma das muitas opções” que ela está considerando depois de deixar o banco central.
Quando o nome de Lagarde surgiu pela primeira vez como possível candidata à presidência do BCE em 2019, ela disse que não tinha interesse no cargo e que não deixaria o Fundo Monetário Internacional, onde era diretora-gerente.
(Reportagem de Abu Sultan em Bengaluru e Francesco Canepa em Frankfurt)
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