Manaus/AM - Depois de quase dois meses da morte do indígena Tanaru, “o homem do buraco”, o último sobrevivente da etnia em Rondônia, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) acionou o Ministério Público Federal (MPF) contra o atual presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), pela falta de definição sobre a data, o local e o sepultamento do mesmo.
Para e entidade, a situação é grave e exige atuação enérgica da Funai, que tem como missão constitucional a defesa dos povos indígenas.
O corpo do indígena foi encontrado no último da 23 de agosto, durante uma operação de patrulha na Terra Indígena Tanaru, no estado de Rondônia, na fronteira com a Bolívia.
A notícia ganhou manchetes em jornais na Europa e nas Américas, relatando que o “Homem do Buraco”, levou com ele a história do povo Tanaru, marcando o primeiro desaparecimento registrado de uma tribo isolada no Brasil.
A mídia estrangeira relacionou a morte do último Tanaru à política anti-indigenista do governo Bolsonaro. O texto do New York Times diz que “foi um triste marco para um país que nos últimos anos viu as proteções para grupos indígenas enfraquecidas e minadas por um governo que priorizou o desenvolvimento da Amazônia em detrimento da conservação”.
A Funai relatou evidências de pelo menos 114 grupos isolados no Brasil, mas a existência de apenas 28 foi confirmada. Como resultado, as 86 tribos restantes não se beneficiam de nenhuma proteção governamental, alerta ainda o texto.
Agora, a Coiab requer a instauração de um inquérito civil em desfavor do agente público Marcelo Augusto Xavier, presidente da Funai, com o objetivo de investigar possíveis crimes praticados no âmbito da administração pública, especialmente na demora no sepultamento do indígena Tanaru ou “Índio do Buraco”.
Para a Coiab e suas organizações, respeitar o território protegido pelo indígena Tanaru é respeitar os artigos 231 e 232 da constituição federal, reconhecer os costumes e tradições, incluir a riqueza plural dos ancestrais que habitam e permanecem nos territórios indígenas, principalmente do povo do “índio do buraco”.

