O governador Wilson Lima reforçou sua base parlamentar na Assembleia Legislativa, com a adesão do Partido Progressista, que saiu das mãos do prefeito David Almeida. Mas precisa de uma agenda que contemple propostas de campanha, entre elas um alinhamento permanente com Manaus, aparentemente comprometido por disputas intestinas que fazem mal à cidade e ao Estado.
O alinhamento com a Prefeitura durante o processo eleitoral foi bem vindo, mas o que era para ser duradouro estancou após a eleição. Não importa as diferenças que surgiram entre David e Lima. Importa que havia um compromisso não entre os dois mandatários, mas entre eles e a população da cidade.
Cabe aos eleitores cobrarem que esse compromisso não se esgote pela vaidade de quem fez, faz ou de quem financia obras fundamentais numa cidade dramaticamente afetada pelas chuvas.
Prestes a completar 100 dias do segundo mandato, o governador precisa focar na geração de empregos e não apenas no que considera essencial, como elevar o número de beneficiados pelo Auxílio Estadual. Mais emprego reduz a dependência de famílias pobres e tira dos ombros da população, que paga impostos, o ônus de uma conta que apenas aumenta.
Esse auxilio, embora fundamental em momentos de crise, representa, caso Lima consiga elevar para 350 mil famílias, conforme proposta de campanha, uma sangria de R$ 550 milhões ano aos cofres do Estado.
Lima é jovem e idealista. Foi reeleito com a proposta de que “agora tudo vai melhorar”. Ainda não melhorou, até pela conjuntura da economia mundial e guerras, que impactaram na compra de insumos pela indústria.
Não se pode culpar Wilson pelas guerras e suas consequências, mas é dever nosso alertá-lo de que o seu maior inimigo é o tempo.
Em meados de 2026, ele terá que renunciar ao cargo para disputar o Senado - pelo menos parece ser este o seu objetivo. Precisa manter aliados nos quais confie - e eles não estão nos partidos que, de forma interesseira e como moscas, se aproximam do governo. Está numa convivência pacífica com seu vice e o prefeito de Manaus.
Está na busca de alternativa econômica para momentos de dificuldades, que sem dúvida surgirão nos próximos meses. E tudo isso é conquistado com conversa, com a construção de alianças que não se rompem pela interferência daqueles que apostam nas divisões para verem seus interesses contemplados.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso