O presidente Lula defende que os livros de economia devam ser reescritos e que a norma - que beneficia a todos - é gastar. Provavelmente, ao final do governo, o diploma de economista não seja mais um requisito para o exercício da profissão. Foi assim com o jornalismo, que sob pressão dos donos da mídia o Supremo decidiu há 14 anos que não era necessária a apresentação do diploma para o exercício de uma atividade essencial. Deu no que deu. Houve uma invasão do mercado e a qualidade do noticiário caiu.
O caso da economia é tão ou mais grave do que o jornalismo, porque o mercado funciona com regras aperfeiçoadas nos cursos de economia. Mas Lula quer gastar sem controle e avançar sobre o dinheiro público em nome de uma política social cuja conta será paga por todos os brasileiros. Há um componente autoritário nessa proposta.
Lula não está preocupado com os pobres, mas em recriar os currais eleitorais, desmontados no último governo , que eram alimentados com dinheiro do contribuinte. Não quer criar empregos, quer gastar e isso é perigoso porque sem controle é inevitável desvios e corrupção. Não que seja essa a ideia do presidente, mas o PT tem um histórico de malversação de dinheiro público muito conhecido.
Fazer o quê? Um presidente que nunca estudou economia faz uma proposta indecorosa dessas e tem o apoio do Centrão e dos demais partidos aliados. Lula pode ter suas limitações, mas não é bobo: quando fala em gastar (e gastar sem controle) aumenta o olho grande da maioria dos parlamentares sempre dispostos a dar um bicada numa grana que não existe por milagre: sai do seu bolso, do bolso do contribuinte. Então, você, de novo, vai pagar essa conta.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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