
Manaus transformou-se na cidade dos mortos, da viúvas, dos filhos órfãos e da falta de governo. Culpar a variante da pandemia descoberta no Amazonas pela segunda onda avassaladora da doença é cômodo para qualquer governo incompetente e irresponsável com o povo. É cômodo para quem mantém o discurso evasivo de que é preciso união, busca de solução e paz. Mas é preciso, também, além de contar os mortos por asfixia na rede hospitalar, procurar seus autores, os responsáveis, os que se omitiram, os que não se prepararam para defender a população e claramente contribuíram para essas mortes.
O governo do Amazonas deixou no papel a construção de usinas nas principais redes hospitalares desde maio do ano passado,. Cada uma custaria R$ 300 mil e levaria de 30 a 50 dias para ser concluídas. O que impacta agora na falta de oxigênio nos tanques para distribui-los via encanação até os leitos. Este é o problema. Não adianta o esforço da Força Aérea para trazer cilindros pesados, com logística de distribuição complexa. O que deveria ser simples e barato, e estar salvando vidas, deixou de ser feito por negligência, incompetência e corrupção.
É preciso salvar vidas sim, mas é necessário e urgente prender os culpados pelas mortes por asfixia. Porque há culpados. Há criminosos que não podem ficar impunes, há um Estado destruído, há uma economia em recessão, há desemprego e há luto, fome e revolta nos lares. Ninguém fazer nada agora quanto a "este detalhe" também é criminoso!
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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