Bastidores da Política - Protesto da oposição foi pífio. Bolsonaro é mais eficiente na mobilização de seus 'imbroxáveis'


Protesto da oposição foi pífio. Bolsonaro é mais eficiente na mobilização de seus 'imbroxáveis'

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

29/05/2021 19h32 — em Bastidores da Política

  • Ao contrário da oposição, que fracassou nos protestos deste sábado, Bolsonaro consegue reunir grupos cada fez maiores, de homens como ele, "imorríveis", "imbroxáveis" e "incomíveis". Mas talvez resida aí mais uma propaganda enganosa da fábrica de mentiras que o presidente criou...

Os protestos deste sábado, que reuniram grupos de oposição a Bolsonaro, não tiveram a adesão da população. Apenas serviram para mostrar que a esquerda continua miúda, medrosa, recolhida, resumida a sindicalistas envelhecidos e atrasados.

Nenhuma nova liderança foi criada nos últimos anos, o que explica a falta de um comando centralizado que estimule a sociedade a reagir em um momento de ameaça velada à democracia.

A pandemia exige o distanciamento e a não aglomeração, mas sem ela os fatos não seriam diferentes, o volume de pessoas protestando contra o governo seria esse mesmo: pequeno, miúdo, insignificante.

É verdade que os manifestantes gritaram mais do que os bolsonaristas, mas foram pouco ouvidos. Falaram mais e ninguém escutou.

Já Bolsonaro consegue reunir grupos cada fez maiores, de homens  como ele, "imorríveis", "imbroxáveis" e "incomíveis".  Mas talvez resida aí mais uma propaganda enganosa da fábrica de mentiras que o presidente criou.

Sabe-se que, seguramente, são mortais, mas duvida-se que sejam imbroxáveis  e incomíveis.

Essa fábrica de mentiras produz  a superioridade do homem, do macho que porta armas, que se apropria da razão e de uma "verdade" criada a partir de uma farsa: a de que Bolsonaro é um mito, com poderes divinos para cooptar as instituições e se apropriar da vontade do povo.

Que é preciso reagir a tamanha ameaça, sim é preciso. Mesmo que em um momento de forte tendência de evolução da Covid. Porque se o vírus mata os brasileiros, Bolsonaro é seu maior cúmplice, pela omissão ao deixar de comprar vacinas que imunizaria milhões de brasileiros e pelo oportunismo com que faz campanha antecipada pela reeleição, sem se importar se ele mesmo carrega alguma cepa e a espalha pelo país afora.  Nunca é demais lembrar que Bolsonaro não se vacinou.

Qual é nosso papel enquanto brasileiros, preocupados em assegurar o que conquistamos ao esvaziar o regime ditatorial de 1964, que Bolsonaro tenta ressuscitar? Impedir, seja por reforçar o apoio ao trabalho da CPI da Covid no Senado, seja por protestos pacíficos, seja pelo voto.

Mas o protesto deste domingo retirou das sombras um aliado armado de Bolsonaro: a Polícia Militar. Em Pernambuco, os pms agiram com violência contra os manifestantes. O governo do Estado revelou que a ordem veio de cima. De onde?

As pms no Brasil carregam o vício da politica, que entrou nos quartéis e pôs fim a disciplina. Seguramente não estão sob o comando dos governadores, mas sob a tutela do bolsonarismo.

É um perigo, sendo necessária uma depuração urgente em seus quadros.  A democracia nunca esteve, como agora, tão ameaçada.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.