Compartilhe este texto

A polícia que mata é a 'nossa polícia e tem a nossa cara'


Por Raimundo de Holanda

27/05/2022 18h01 — em
Bastidores da Política



Quando a polícia age de forma violenta, como no caso envolvendo a morte de Genivaldo Jesus dos Santos, a reação da sociedade é a mesma: espanto. E com razão. Mas essa violência policial se origina dentro de cada lar de uma sociedade agressiva, de famílias desajustadas, reféns de medos variados - de perder o emprego, de ser roubado nas ruas, ser enganado pela esposa, ser traído pelo amigo -  e também pelo desejo de ter o que os outros têm.

Inveja e cinismo se misturam e criam monstros que vivem ao nosso lado e não sabemos. Ás vezes está dentro de nós e não sentimos, até que despertam em momento de fúria que não controlamos.

Ou você, que está lendo a coluna hoje, em algum momento de sua vida, de comportamento impecável, insuspeito, não desejou matar alguém? É normal esse sentimento ? Não, não é normal. Mas para mudar a polícia - cuja comportamento é esse mesmo flagrado pelas câmeras - é preciso mudar a sociedade, ou melhor, que você mude seus conceitos, que você compreenda seus limites.

 

 

Todos os dias homens e mulheres são mortos, têm os corpos esquartejados na periferia das grandes cidades por um tipo de tribunal do crime, e poucos se escandalizam tanto. Não, não é normal.

Um exemplo de como somos, enquanto sociedade, responsáveis por tudo isso: relegamos a educação de nossos filhos a um segundo plano, em casa não conversamos com eles, não damos atenção aos seus sonhos, ao desejo de irem além do que fomos  ou chegamos.E olhamos para a esposa como mera servidora do sexo.

Os vizinhos, não conhecemos porque não nos falamos e os vemos como suspeitos dispostos a nos atacar a qualquer momento.

O que unia cada família, amigos em braços da sociedade está desaparecendo. Porque a  confiança também está morrendo e com ela a solidariedade, a compaixão. Então o predomínio é da indiferença e do ódio.

A solidariedade com o outro só é compartilhada nas redes sociais. Não se transforma em ação. Na prática se encerra nas teclas do celular em uma postagem no Tik Tok ou no Instagram. Estamos desaparecendo como sociedade solidária.

Policiais da PRF são afastados após morte de homem sufocado dentro de viatura 

PRF admite uso de gás lacrimogêneo em homem que morreu em Sergipe

Homem morre sufocado após ser colocado em viatura com gás da PRF em Sergipe

Morto asfixiado em abordagem da PRF era casado e tinha filho de 8 anos



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.