Bastidores da Política - PF e MPF miram Wilson Lima e ele reage: 'tudo bem, tudo tranquilo....'  normal?


PF e MPF miram Wilson Lima e ele reage: 'tudo bem, tudo tranquilo....' normal?

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

02/06/2021 20h16 — em Bastidores da Política

A tranquilidade com que o governador do Amazonas, Wilson Lima, apareceu em uma rede social, após buscas e apreensão em sua casa pela Polícia Federal, a prisão de secretário do alto escalão do seu governo e uma nova acusação de fraude, direcionamento de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e associação criminosa, aponta para uma preocupante perda de noção da realidade.

Talvez uma excessiva confiança no sistema de justiça, abalado por escândalos que fogem aos olhos do cidadão comum.

Talvez uma doença endógena que bloqueia no governador a  identificação de tumores que, ao serem criados e expostos, acabam provocando a reação dos órgãos de controle, que tentam drenar o pus para salvar o corpo de um Estado em descomposição.

Wilson não treme, fala com uma notável convicção. Nisso sempre foi bom, desde os tempos da TV, onde conseguia canalizar para ele broncas que não resolvia, mas dizia que resolvia.

"Estou tranquilo e confiante na justiça”, disse em uma rede social. Ou não percebe que seu governo trincou literalmente e está afundando, ou de fato aposta  que a Justiça, na qual  ele diz confiar, está a seu lado e não do lado da sociedade.

Ou não leu a decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão, que autorizou a operação da Polícia Federal nesta quarta-feira.

Segundo o ministro, “a atuação(…) do principal gestor da Unidade da Federação afronta os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência", e que os crimes pelos quais responde o governador e o secretário de Saúde, Marcellus Compêlo, entre outros, acusados “estão ligados  ao exercício funcional, praticados no desempenho dos cargos e com abuso deles, causando prejuízos aos amazonenses”.

Wilson provavelmente continuará com essa tranquilidade, seja qual for o desfecho da operação da Polícia Federal ou do julgamento da denúncia feita pela PGR contra ele no  Superior Tribunal de Justiça,  adiada desta quarta-feira para uma data que infelizmente parece não caber no calendário da Corte. Mas terá que acontecer em algum momento, por um inesperado despertar dos ministros ou pela pressão da sociedade.

E Wilson estará tão só como nunca esteve, sem grupos, sem amigos, humilhado, vivendo de favores e esquecido

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.