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Os segredos da maleta espiã apreendida na Secretaria de Inteligência do Amazonas

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Por Coluna do Holanda
17/07/2021 23h44 — em Coluna do Holanda

Foi entre janeiro e março de 2018 que representantes de uma empresa israelense visitaram o Ministério Público do  Estado do  Amazonas com uma proposta inusitada.Vender o direito de uso  de um software de espionagem capaz de quebrar a criptografia do WhatsApp. Preço mínimo estimado à época para monitorar apenas 100 aparelhos celulares : 5 mil dólares.

O representante da empresa, segundo fontes da coluna, chegaram a fazer um demonstrativo, onde invadiram, com consentimento, o  celular de um servidor. Nada feito. O MP não tinha recursos e os empresários procuraram o governo do Amazonas, já em 2019. Se o negócio prosperou  na sede da Compensa,  ou na Secretaria de Segurança, não se sabe.

Entretanto, na busca e apreensão empreendida há uma semana na sede da Secretaria de Inteligência, durante a Operação Ouro Urbano, que prendeu o secretário Samir Freire e mais três policiais, entre eles um coronel da Polícia Militar,  agentes do Gaeco-MP-AM e Polícia Federal aprenderam uma mala  de interceptação,  mas aparentemente sem o software capaz de quebrar a criptografia de aplicativos como  WhatsApp e Telegram, para citar os mais utilizados. Um equipamento mais antigo, usado para monitorar ligações telefônicas sem autorização judicial.

Ainda mão se sabe se contem  os hardwares e softwares capazes de extrair lista de contatos, fotos, áudios, vídeos e histórico de  ligações.

O aparelho está sendo periciado por técnicos do Gaeco e Polícia Federal. Seus segredos serão expostos no relatório que o MP deve enviar à Justiça nos próximos dias.

O mais inusitado dessa história é a informação de que há uma segunda mala, supostamente na posse de um político. Agora o sistema de compras do governo do Amazonas  será passado a limpo. Como a mala não é das mais modernas, os investigadores querem saber quem a adquiriu  via  registro de preços ou se entrou ilegalmente no Estado.

O fato de a mala de espionagem ter sido encontrada criou um clima de preocupação entre autoridades, que seriam supostamente alvos de arapongas patrocinados pelo governo.

Enquanto as investigações prosseguem, as más notícias se espalham. Algumas falsas, algumas não: entre elas a de que integrantes do Judiciário, da própria Polícia, jornalista, Bispos e do Ministério Público eram alvos em escutas clandestinas.

E quem foi ao motel, falou com a amante, a namorada (ou namorado ?) Ou ciscou em terreno não republicano ? É coisa demais para tirar o sono de muitos defensores da moral e dos bons costumes.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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