Bastidores da Política - Denúncia de Omar Aziz contra conselheira do TCE tem efeito de uma bomba no Amazonas


Denúncia de Omar Aziz contra conselheira do TCE tem efeito de uma bomba no Amazonas

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

18/07/2021 21h23 — em Bastidores da Política

A denúncia feita pelo presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, contra a conselheira Yara Lins, acusada de enriquecimento ilícito, ocultação de bens e de receber “comissionamentos” de empresários, fechou o duto que supostamente regava as contas de outras personalidades do Estado do Amazonas. Este é o primeiro efeito da denúncia. Que tem consequências previsíveis.

Omar mirou uma conselheira do Tribunal de Contas e acabou acendendo o pavio de uma bomba que vai explodir em várias direções.

As conexões do governo do Amazonas com as  empresas que supostamente fazem o negócio sujo, em troca de blindagem, começam a ser mapeadas  pelos órgãos de controle.

O dinheiro do “comissionamento”, eufemismo para propina, superdimensionado a partir de pagamentos indenizatórios de reconhecimento de dívidas passadas é previsto em lei,  desde que  o serviço tenha sido feito e exista relatório circunstanciado e detalhado para ser quitado. Ocorre que muitas das demandas seriam artifícios para justificar o repasse ilegal de dinheiro público para negócios escusos.

O estranho de tudo isso é o fato de o governo não ter recorrido contra decisões da conselheira. Mas o dinheiro teria outros fins e o tamanho do duto é extenso, passa do Amazonas e chegaria  a Capital da República.

As empresas denunciadas teriam outras obrigações, que iriam além dos “comissionamentos” a personalidades locais. O duto desaguaria no Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubistchek.

Mas de onde sairia tanto dinheiro? Dos pagamentos indenizatórios ficticiamente aprovados?  Não. Teria outras fontes e a investigação, a cargo da Controladoria Geral da União, Procuradoria Geral da República e Polícia Federal  não ficará restrita à conselheira. Será o Amazonas passado a limpo. Não sem tempo.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.