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O risco de Bolsonaro virar o jogo e vencer nas urnas


Por Raimundo de Holanda

16/05/2022 19h36 — em
Bastidores da Política



Pelo desastre na economia e pelos desafetos que criou nos últimos anos, Jair Bolsonaro surpreende ao aparecer com 32% da preferência do eleitorado. Se aproxima perigosamente do primeiro colocado, o ex-presidente Lula, que estacionou em 44%, segundo pesquisa da (XP/Ipesp) divulgada na sexta-feira. São 12 degraus de distância, mas eram 13 há duas  semanas, o que significa que Bolsonaro subiu um ponto. A cinco meses das eleições, as chances de o presidente continuar crescendo são grandes: abriu os cofres do governo, o Bolsa Brasil cresceu de tamanho e está chegando aos lares mais pobres, o que significa que o presidente penetra lenta, mas perigosamente num eleitorado que Lula mantinha na sua cota, por conta de “bondades” praticadas durante o governo do PT.

Mas não é só isso que vai dando musculatura a Bolsonaro. É o nome dele que não sai da mídia. Virou rotina a publicidade negativa contra o presidente, que tem efeito contrário: acaba passando a idéia de vítima. Bolsonaro aproveita muito bem essa avalanche de críticas diárias da chamada imprensa profissional para se colocar como um homem perseguido - pela imprensa, pelos tribunais, por inimigos da “democracia”.

Essa excessiva preocupação com Bolsonaro apenas ajuda o presidente a se manter conhecido - amado ou odiado.

O terrível dessa história não é o golpe que a imprensa repete todo dia, como risco iminente. O perigo mesmo é  Bolsonaro virar o jogo eleitoral e ganhar nas urnas.

O terrível é um novo mandato com o atual presidente, com todas as consequências para a economia, para a liberdade e para a vida dos brasileiros.

Mas se esse pesadelo se tornar realidade - e o risco existe - a quem culpar? O eleitorado? Ou a propaganda que todos fazem do presidente?

Nunca é demais lembrar que Bolsonaro tem em mãos um instrumento de poder - a caneta - e o está usando de forma acintosa.

Não sei quem meteu na cabeça que Bolsonaro pode dar um golpe de Estado. Isso é fantasia na cabeça de quem não tem juízo. O maior golpe mesmo é ele vencer as eleições. Aí todos serão obrigados a calar. E este será um silêncio devastador, capaz de destruir uma Nação .

Veja também:

Pesquisa XP/Ipespe: Lula tem 44%, Bolsonaro 32% e Ciro 8% das intenções de voto 



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.