Com contribuição importante de Petrobras após o balanço de 2025, o Ibovespa lutou ao menos para preservar a linha dos 180 mil pontos nesta semana em que acumulou perda de 4,99%. Porém, a pressão exercida pelo setor de metais e pelas ações de bancos colocou o índice aos 179.364,82 pontos no fechamento, em baixa de 0,61%. Com a tensão no Oriente Médio, o barril do Brent avançou 27% na semana e o do WTI, 35%, o que reforça as preocupações em torno da inflação global e da trajetória dos juros em um cenário geopolítico ainda incerto. Em Londres, o contrato futuro mais líquido do Brent subiu hoje 8,5% e, em NY, o do WTI, 12%, o que colocou ambas as referências acima de US$ 90 por barril.
A perda semanal do Ibovespa - no negativo pelo segundo intervalo consecutivo - foi a maior para o índice desde o período entre 7 e 11 de novembro de 2022 (-5,00%). Entre a mínima e a máxima desta sexta-feira, oscilou dos 178.556,49 até os 181.091,01 pontos, tendo saído de abertura aos 180.463,44. O giro financeiro foi a R$ 32,6 bilhões na sessão. No ano, o Ibovespa sobe 11,32%. No fechamento desta sexta-feira, 6, o Ibovespa foi ao menor nível desde 26 de janeiro, então a 178,7 mil.
Na sessão, além da escalada do petróleo e da boa recepção ao balanço do quarto trimestre, a alta firme de Petrobras (ON +4,12%, PN +3,49%) pareceu refletir, também, um movimento de rotação a partir de setores de peso punidos pela aversão global a risco, como o metálico - destaque para Vale ON, em queda de 2,99%, e CSN ON, de 4,26% - e o financeiro, que mostrou recuo de até 2,51% (Santander Unit) no encerramento.
No começo da tarde, as ações de Petrobras ganharam impulso adicional durante a teleconferência sobre os resultados da empresa. Nela, a presidente da companhia, Magda Chambriard, reiterou que a política de preços da estatal considera tanto momentos de queda do barril do petróleo, como no ano passado, como no de alta, cenário atual.
"Vale a mesma coisa até agora", destacou, no que foi interpretado como um aceno de que os preços domésticos, na refinaria, podem vir a subir caso a escalada das cotações internacionais prossiga sem trégua. Mais cedo, nesta semana, a estatal havia indicado que não repassa a volatilidade externa para os preços internos.
Na ponta ganhadora do Ibovespa, além das duas ações de Petrobras, destaque também para outros nomes do setor de energia, como Brava (+4,61%), Prio (+4,27%) e Vibra (+2,31%). No lado oposto, além de CSN, apareceram Embraer (-8,05%), Vamos (-7,24%) e Raízen (-6,78%).
"Depois de um início de ano muito forte para a Bolsa brasileira, março começou com um certo ajuste de rota. O índice já vinha esticado, e quando o mercado está assim, qualquer notícia negativa vira gatilho para uma realização mais ampla", resume Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, referindo-se à percepção de risco global desde o ataque deflagrado no último sábado por EUA e Israel ao Irã, com desdobramentos ainda em andamento e reflexos não apenas para o mercado de ações e os preços do petróleo, mas também para o câmbio e os juros futuros.
No ano, os ganhos acumulados pelo Ibovespa, de 17,17% até o fechamento de fevereiro na sexta-feira anterior aos ataques, estão agora em 11,32%. Em dólar, o Ibovespa subia 25,26% até a última sexta-feira, em 2026. Agora, considerando também a apreciação de 2,14% do dólar frente ao real na semana, está em 16,52%. Na sessão, a moeda americana caiu 0,82%, a R$ 5,2438. Em Nova York, na sessão, Dow Jones -0,95%, S&P 500 -1,33% e Nasdaq -1,59%.
"O presidente Trump tem projetado repetidamente um prazo de pelo menos quatro a cinco semanas para encerrar o conflito, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que não há limite para o direito de autodefesa do país. Atribui-se, agora, apenas uma chance em 3 de que as operações militares dos EUA terminem até o fim de março, abaixo dos mais de 80% de possibilidade logo após o ataque de sábado", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, referindo-se a dados da Polymarket, uma plataforma global de projeções de mercado.
Neste contexto de crescente incerteza geopolítica, o quadro das expectativas para as ações no curtíssimo no Termômetro Broadcast Bolsa , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, desta sexta mostra um mercado dividido. Entre os participantes, 37,50% disseram esperar alta para o Ibovespa na próxima semana e outros 37,50% preveem variação neutra, contra 50,00% e 25,00%, respectivamente, na pesquisa da semana passada. A fatia dos que projetam queda manteve-se em 25,00%.

