É bom ser pai. Ruim é ligar a tv e sintonizar o canal de notícias e o apresentador fazer um comercial gratuito, o que torna o dia dos pais um negócio: “você já comprou o presente para o seu papai?” De repente um dia especial perde a sua magia. Sem abraços, sem beijos, sem apertos de mãos, sem olhar nos olhos. O filho está todo alegre. Fez “sua obrigação”, mas o pai - ou a maioria deles - com o presente nas mãos, envolto em papel couché, o máximo que exprime é um sorriso sem graça, enquanto o coração sangra.
Neste sábado tomei café com o pessoal da redação e fiz uma pergunta simples, mas as respostas me deixaram sem graça. “Como vocês vão festejar o dia dos pais?” Para a minha surpresa, de sete pessoas que se encontravam na cozinha do portal, apenas duas disseram ter pais, ou que que os teriam conhecido.
Não é fácil encontrar homens dedicados aos filhos, pais de verdade, mas eles existem e o que eles querem não é presente. Querem respeito, afeto, querem a boa cumplicidade que a amizade e a confiança entre pais e filhos proporciona.
Passamos cada minuto de nossas vidas fazendo planos para os nossos filhos, mas qual o plano deles para nós, depois da travessia - quando realizarmos os sonhos deles, tornando-os capazes de seguir em frente sozinhos? Não sabemos…
Mas sabemos onde muitos homens terminam - em asilos, esquecidos, vítimas da indiferença daqueles que eles amaram um dia, se apossando de seus bens ou da parca aposentadoria...
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso