A tentativa de homicídio ocorrida dentro da Faculdade Fametro, no sábado, em Manaus, chama a atenção para um fato que relutamos em ignorar: a violência, para ser controlada, exige uma reavaliação de nós mesmos, de nossas obsessões e de nossas fraquezas. Não é – como costumamos atribuir – um problema de governo – mas da capacidade que estamos perdendo de conviver em sociedade.
O que ocorreu na Fametro, onde um funcionário atentou contra a vida de uma colega, pode se repetir em qualquer lugar: em casa entre irmãos; entre marido e mulher, entre colegas de trabalho, na rua entre amigos, vizinhos, conhecidos. Não foi culpa da Fametro.
Dizer que o agressor sofreu um “surto psicótico” ajuda a explicar um comportamento criminoso, mas revela, no geral, tudo o que somos: agressivos, passionais, descompensados.
O nosso lado ruim sobressaindo, mas para o qual há antídoto: o autocontrole. Essa batalha contra o mal está presente em nossas vidas e ela deve ser travada minuto a minuto para que não repitamos gestos como o praticado por Elias Antunes de Souza contra a colega de trabalho.
Não cabe aqui fazer juízo de valor sobre o que desencadeou essa agressão, mas é fato que esse descontrole teve uma origem, o que nos leva a refletir mais ainda sobre a necessidade de respeitar o outro e de nos impor limites. Somos frágeis, vulneráveis, passíveis de romper fronteiras que não podem ser rompidas.
Pelo menos um terço dos assassinatos registrados no Amazonas tem como pano de fundo o desejo de posse, brigas entre vizinhos, paixões não correspondidas, desentendimentos entre colegas ...
Essa é uma fronteira que não pode continuar desconhecida para nós. É preciso saber pisar no freio quando nos aproximarmos dela. Ou repetiremos Elias. E isso ninguém deseja.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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