O dramático apelo da mãe do piloto Breno Pimentel, desaparecido durante um voo entre Barcelos e Manaus em 3 de setembro, resultou em uma nota da autoridade policial que desconsidera que a publicidade para casos como este não é apenas um princípio, mas uma regra elementar. Desaparecidos são encontrados quando as buscas são compartilhadas com a população. Mas a delegada Catarina Torres se limitou a emitir uma nota afirmando que “trabalhos investigativos são sigilosos”.
Desde quando a delegada adota o sigilo na busca de desaparecidos? Se essa é uma norma, ela desvirtua o trabalho que a polícia diz realizar, quando não coloca em dúvida se esse trabalho de fato está sendo feito.
Dona Tônia Pimentel, mãe do piloto, convocou a imprensa para compartilhar sua angústia diante da falta de informações sobre o paradeiro do filho. E com razão. Por que o sigilo?
É hora de o Ministério Público agir, exercendo o controle externo administrativo sobre o andamento dessas investigações. Afinal, essa é uma de suas funções, inclusive intervindo para o exercício do bom direito, com a publicidade ocupando o espaço da restrição dita necessária pela autoridade encarregada dessas buscas.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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