A chuva caiu fina molhando Manaus nesta terça de carnaval, sem escolas de samba, sem mulheres seminuas e de peito aberto em meio a uma mistura de cores e de sons. Ficou a lembrança de carnavais passados, da tv exibindo corpos suados, pintados em gestos sensuais. É que travamos nestes dois anos a nossa própria guerra contra um inimigo feroz que ainda hoje influencia nosso comportamento e de certa forma cala o samba, confina a alegria a um espacinho dentro de nós.
Quem sabe estamos muito próximos de explodir em risos, de esquecer a dor e, como Wando dizia na seu eterno samba “O ferroviário: "ser feliz, vestir a fantasia e sambar na avenida”.
Sem medo de abraçar, de beijar e sem depois…
Sem escolas de samba, sem blocos de rua, restou a guerra na Ucrânia, exibida minuto a minuto pela internet e pelas tevês pagas.
A gente, tão distante e tão perto desse conflito. Pela primeira vez em toda a história nos tornamos, mesmo em Manaus, a 15 mil quilômetros da Ucrânia, soldados de um dos lados dessa batalha, ao compartilharmos informações pelo Instagram, WhatsApp, TikTok e Twitter.
Ou as redes sociais não estão influenciando lideres da Europa e EUA a fornecerem armamentos à Ucrânia e a impor sanções econômicas à Russia? Ou não fazemos, de certa forma, o jogo dos norte-americanos, que querem estender ainda mais sua influência sobre o leste europeu?
Na prática, essa é uma guerra mundial e a Internet já mostrou seu poder de influenciar lideres mundiais. O problema é o tipo de influência que essas redes estão exercendo. Qual o lado certo ou errado dessa guerra? É moral ou imoral os EUA tentarem colocar os pés, via OTAN, na fronteira da Rússia ?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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